Crianças de diferentes níveis socioeconômicos não avançam igualmente na aprendizagem

Apesar da melhora dos indicadores de aprendizagem, também há desequilíbrios de gênero e raça

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Com aproximadamente 37 mil habitantes, a cidade de Oeiras (PI) ganhou notoriedade por causa dos bons resultados educacionais conquistados. No 5º ano do ensino fundamental, 78% dos alunos aprenderam o adequado na competência de leitura e interpretação de textos. Em matemática, o indicador chegou a 78%. Com isso, a cidade conquistou um Ideb de 7,1, muito acima da meta de 4,7 estipulada pelo MEC. O índice é maior que o esperado para 2021, inclusive. Para comparação, as taxas de aprendizagem adequada em português e matemática em todo o Brasil são de 34% e 15%, respectivamente. Nos anos iniciais, o Ideb médio brasileiro é 5,5.

Aparentemente, os alunos do 5º ano de Oeiras têm índices de aprendizagem satisfatórios, mas existe uma situação de desigualdade que a Prova Brasil não revela: a disparidade de resultados entre os alunos de nível socioeconômico (NSE) alto e os de NSE baixo, com vantagem para os primeiros. A cidade localizada a 280 km de Teresina também tem desigualdade entre meninos e meninas.

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Um olhar para as desigualdades

A revelação é do Indicador de Desigualdades e Aprendizagens (IDeA), lançado recentemente pela Fundação Tide Setubal. A ferramenta foi idealizada pelo professor emérito da UFMG Francisco Soares e viabilizada com a participação de Erica Castilho Rodrigues, professora do Departamento de Estatística da UFOP, Mauricio Ernica, professor da Faculdade de Educação da Unicamp, e Victor Maia Senna Delgado, professor do Departamento de Economia da UFOP.

Disponível online, o IDeA permite analisar a desigualdade nos critérios de gênero, raça e nível socioeconômico. Os dados de aprendizagem são extraídos da Prova Brasil. Além de obter o diagnóstico dos alunos do 5º e 9º anos do fundamental como um todo, é possível pesquisar estados, regiões e cidades específicas.

De acordo com Mauricio Ernica, o IDeA supre uma lacuna importante, pois poucos países medem a equidade de seus sistemas educacionais. A Unesco analisou 75 planos de educação e mostrou que a maioria deles acompanha somente indicadores de aprendizagem. Poucos calculam a equidade do sistema.

Matemática – 5º ano

desigualdade na aprendizagem

Aliás, outra proposta do IDeA é colocar no debate educacional o problema do aprofundamento das desigualdades. “O sistema educacional melhorou, mas não para todo mundo. Só avançam as pessoas com certos atributos que lhes dão vantagem no sistema. Resolvemos o problema do fluxo, mas continuamos tendo um sistema seletivo. Não ensinamos a todos”, avalia.

De acordo com os dados levantados pelo projeto, menos de 1% dos municípios brasileiros possuem qualidade alta em língua portuguesa e matemática acompanhada de equidade de nível socioeconômico, tanto para o 5º quanto para o 9º ano.

Da mesma forma, apenas 8% dos municípios que possuem qualidade alta em língua portuguesa no 5º ano estão em situação de equidade de raça. Uma análise por região mostra que o Sudeste concentra a maior proporção de municípios com qualidade alta de aprendizado em matemática para o 5º ano (72%). No entanto, desse total, 50% possuem desigualdade alta de raça.

Assim como o Indicador aponta situações de desequilíbrio, ele também mostra as cidades e estados que podem servir de inspiração para outros. “O Ceará conseguiu melhorias educacionais muito expressivas. Teresina também é um caso para aprendermos, da mesma forma que Minas Gerais, onde há várias cidades com boa relação entre equidade e nível”, destacou o professor da Unicamp.

 Português – 5º anodesigualdade socioeconômica na educação brasileira

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