Projeto inovador propõe o emprego de grãos de café na criação de cosméticos

O objetivo do trabalho de iniciação científica é reduzir a poluição oceânica

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café

Uma alternativa para uma séria questão ambiental foi criada nos laboratórios da Universidade São Francisco, em Bragança Paulista (SP). As alunas Noélle Perussi Oliveira, Marta Franciely Lopes Rocha e Elisa da Cruz Felippim, do curso de Farmácia, orientadas pela professora Iara Lúcia Tescarollo, idealizaram a fórmula de um esfoliante corporal 100% vegetal, produzido a partir de sementes de café orgânico.

Diversos produtos cosméticos em geral, e os esfoliantes em particular, respondem atualmente por uma significativa parcela da poluição de águas oceânicas. São sabonetes, xampus, pastas de dentes e cremes que contêm microesferas de polietileno. Uma vez em águas oceânicas, esses microplásticos são ingeridos por pequenos peixes e, a partir daí, vão subindo na cadeia alimentar, atingindo até a saúde humana.

Isso faz com que a indústria de saúde e beleza se dedique a encontrar um componente que seja eficiente para seus produtos, mas que não cause tantos danos ao meio ambiente. A preocupação aumentou depois que os Estados Unidos proibiram o uso, a fabricação e a comercialização de cosméticos que contenham microesferas de plástico em todo o território americano. Na Europa, a associação Cosmetics Europe também determinou a supressão do uso desses ingredientes. A indústria de produtos cosméticos tem até 2020 para se adaptar.

É nesse contexto que surge o esfoliante de sementes de café orgânico torrado. O projeto ficou em 1º lugar em 2016 no Congresso Nacional de Iniciação Científica (Conic), realizado pelo Semesp. A professora Iara conta que a pesquisa faz parte de um trabalho interdisciplinar do curso de Farmácia, que foi adaptado para um projeto de iniciação científica, envolvendo etapas de pesquisa e desenvolvimento, avaliação da estabilidade e análise sensorial do produto idealizado. ”Atualmente, estamos testando sementes e cascas de romã, sementes de azeitonas, maracujá, cereja, cascas de nozes e outros produtos, como argilas e carvão ativo, para a mesma finalidade”, revela. Uma empresa de pequeno porte já entrou em contato com a instituição para conhecer mais detalhes da solução desenvolvida e, quem sabe, propor uma parceria.

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