Preparação de docentes já em atividade é principal desafio para incorporação da Base Nacional Comum

País tem cerca de 2 milhões de professores na educação básica – e dar formação a todos demandará tempo

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Preparação de docentes já em atividade é principal desafio para incorporação da Base Nacional Comum

Foto: Shutterstock

A ordem estabelecida para que o Brasil finalmente tenha uma Base Nacional Comum Curricular pode parecer lógica, mas é também demorada. Primeiro, grupos de especialistas elaboraram o documento, que recebeu revisões de pares e da população e agora, após a 3ª versão, está em análise pelo CNE. Após ser aprovado o documento, ficará a cargo das redes de ensino detalhar seus próprios currículos e preparar os professores que já estão em atuação. As faculdades terão de adaptar a formação inicial para os futuros docentes, e para as editoras fica a responsabilidade de elaborar novos materiais didáticos. Com tudo pronto, finalmente as mudanças chegarão aos estudantes em sala de aula.

O caminho até a ponta é longo e difícil. O país tem perto de 2 milhões de professores na educação básica e dar formação a todos demandará tempo. Embora seja possível para as faculdades fazer algumas adaptações rápidas, as mudanças estruturais nos currículos de seus cursos só serão aplicadas para os que ainda vão entrar na graduação. As editoras estimam que, pelos prazos regulares do Programa Nacional do Livro Didático, as propostas da BNCC ficarão de fora do edital para 2019. Se isso ocorrer, os livros do fundamental 1 alinhados à Base só chegariam às redes públicas em 2022. Mas, segundo o MEC, isso deve ocorrer antes, talvez já em 2019.

Troca em movimento

Mas entre todas as medidas necessárias para a aplicação da Base, é a formação dos professores em exercício a que mais preocupa. Não apenas pelo desafio quantitativo, mas também pelo fato de que eles receberão um documento já pronto, sem terem participado de sua elaboração e discutido coletivamente. “Teria sido muito mais rico se houvesse desde o início um foco na formação do professor, em discutir com o setor”, afirma a consultora Roberta Bento, que cita o exemplo de Cingapura, onde a reforma educacional foi feita em paralelo com o esforço de formação e valorização do docente.

“Aqui, vai chegar um conteúdo pronto e só então os profissionais vão se preparar para colocá-lo em prática, pensar no como fazer. A aplicação seria muito diferente se os estados e municípios já tivessem levado os professores a discutir e acompanhar, refletir e testar estratégias dentro das suas realidades próprias”, avalia Roberta. Segundo ela, esse é um ponto indispensável para que haja mudanças na educação brasileira. “A Base é uma proposta de conteúdo, mas só fará a diferença se vier junto a uma mudança na dinâmica de sala de aula.”

Para a educadora, a formação é uma necessidade urgente também porque tem o potencial de aparar as arestas da Base, ajustando o que não está bom no texto norteador. “Nenhum documento jamais estará perfeito. De fato, parece que há pouca fantasia na fase da alfabetização, mas não vejo que isso seja um problema. Ao pensar sobre o como colocar em prática na realidade dele, o professor pode ir além do que está proposto”, defende. Para isso, é claro, ele precisa conhecer a proposta e ter tempo de refletir sobre ela.

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