Como aplicar inteligência emocional na grade curricular?

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Por Maria Cristina e Christiane Ferreira*

A inteligência emocional (IE) é uma perspectiva que ajuda a entender e lidar melhor com as emoções, e assim como outras formas de inteligência, pode e deve ser desenvolvida desde cedo por meio da educação na escola e no próprio seio familiar, se possível desde a primeira infância.

Como abordagem educacional, a IE pode ser aplicada desde os primeiros anos escolares, a partir de um exercício constante de compreensão dos sentimentos negativos e da formação de um repertório para lidar o mais adequadamente possível com eles. O objetivo é que os alunos, por meio de atitudes, capacidades, e conhecimentos possam compreender, expressar e adequar de forma apropriada suas emoções.

A IE é transversal: a forma que uma pessoa sente e lida com seus sentimentos e interage com os atores ao seu redor perpassa as disciplinas acadêmicas e as interações com o outro. A sala de aula é um dos meios mais influentes, por isso, o desenvolvimento emocional é um processo de construção na formação dos estudantes e a escola tem papel ativo e relevante. A atuação dos educadores é fundamental ao usar a sensibilidade para transpor as barreiras de nosso próprio conhecimento e da prática.

Em outras palavras, além de propostas focadas diretamente no desenvolvimento emocional, esse aprendizado é acompanhado permanentemente em todas as atividades da grade curricular. Música, teatro e atividades coletivas e individuais podem, por exemplo, atuar de forma complementar. Como professora especializada em IE, na minha prática diária, faço o acompanhamento em tempo real dos estudantes, procurando entender as razões das reflexões e dos questionamentos, dando feedbacks constantes e orientações pontuais.

A sociedade como um todo, incluindo professores, pais, funcionários e até mesmo as próprias crianças, encontram-se sensivelmente afetadas pela falta de coesão social, ligada a corrupção de valores. Segundo o psicólogo Yves de La Taille, especialista em desenvolvimento moral, a real influência da escola no desenvolvimento moral e ético dos pequenos é responsabilidade de todos. A família desempenha uma função muito importante principalmente até o fim da adolescência, enquanto tem mais controle sobre os filhos. Da mesma forma, a escola também exerce influência, na medida em que apresenta experiências de convívio diferentes das que existem no ambiente familiar.

Faz parte do trabalho de suporte à inteligência emocional receber um nível de solicitação frequente e lidar com uma alta necessidade de intervenções para abordar problemas que surgem entre os alunos e muitas vezes têm por trás a ausência de uma relação harmoniosa, falhando os principais valores pessoais, sociais e morais. Portanto, o quanto antes a inteligência emocional de uma pessoa é desenvolvida, mais facilidade ela terá nas relações interpessoais e consigo mesma. Essa sensibilização começa em atos simples, como assimilar a importância de dizer “obrigado”, “por favor”, pedir desculpas e, licença, ser cortês é o primeiro passo para uma boa convivência em grupo.

Uma educação que não passa pelo resgate de valores “adormecidos” na consciência humana durante o processo de desenvolvimento do indivíduo é ineficiente. Por meio da IE inserida transversalmente na grade curricular, incentivamos uma reflexão no mundo atual, fortalecemos e renovamos crenças, inserindo no processo educacional valores que possibilitem a formação integral de nossos alunos, sempre pontuando o autoconhecimento.

*Maria Cristina e Christiane Ferreira são professoras de inteligência emocional no Instituto Alpha Lumen (IAL) –, organização que propõe um modelo adaptativo de aprendizado.

inteligência emocional na escola

Foto: Shutterstock

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