Waldir Romero

diretor da Escola Municipal de Ensino Fundamental Comandante Garcia D’Avila, em São Paulo (SP)

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?






Não tenho conhecimento profundo dos sistemas educacionais no Brasil, acompanho mais de perto São Paulo e por dever de ofício a rede municipal de ensino. Os informes que possuo são por imprensa, publicações e encontros com educadores de outras regiões.




Conseguimos ampliar a oferta de vagas e a escola estatal, hoje, pode ser chamada de pública
stricto sensu

. Pública no sentido que é de todos, assim como a rua, a praça.




Muitas pessoas vivem dizendo “antigamente a escola pública era boa” e isso e aquilo. Bom, no sentido profundo, a escola estatal atendia parcela pequena do povo, não era universal, logo não era boa para a população como um todo.


As camadas populares chegaram à escola, o que falta agora é a escola chegar às camadas populares.


Os governos têm editado sucessivos planos “salvacionistas” em todas as esferas. Os políticos de plantão não se conversam, não há um plano de fato para a nação. Há projetos para esse e aquele governo. Se gasta muito e mal as verbas da educação.


Os educadores estão cansados, mal remunerados, desanimados. A sociedade não acredita na escola pública. 


A princípio, parece que não há saída para esse caos, mas é dentro desse quadro que vamos buscar forças e utopias para seguir adiante.


O grande problema é a ausência de paixão, sonho, desejo… Desejo de ser pertencente, de abrir mão, de construir e romper paradigmas e construir o novo.


Todos estão à espera do messias para resolver tudo. Precisamos fazer a nossa parte, na rua, na escola, no bairro… Mario Sergio Cortella fala em “glocalização” e poucas escolas e educadores têm de fato trabalhado com esse conceito de valorizar o local, plugado no global.












Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?







O país é grande, a cidade é imensa. Como é possível dentro dessa realidade ter uma escola viva e dinâmica controlada por órgãos centrais?




Há um discurso de descentralização e de autonomia. Na prática o que se propõem é a realização de tarefas nas unidades fins.




Como pensar em descentralização, autonomia sem verbas. Fala-se muito na possibilidade das escolas trabalharem a sua realidade, seus processos…






O interessante é que há quinhentas portarias, pareceres, decretos etc. Neste contexto o fazer pedagógico passa a ser uma tarefa quase mecânica. 




Para driblar essas dificuldades é necessário construir um projeto pedagógico com uma equipe que permaneça junta por pelo menos cinco anos, com formação permanente, jornada pedagógica, valorização salarial e plano de carreira.




A autoridade é elemento muito importante a ser edificado nas escolas. Há muita confusão, ainda, entre autoritarismo e autoridade como resquício da ditadura.




O corporativismo é outro fator que dificulta o processo. Não estou dizendo que devemos abrir mão de lutas e conquistas. Não é isso. O que quero dizer é que pessoas, em nome da confusão do corporativismo, deixam de fazer coisas importantes.






 







O que você gostaria de ver o governo federal fazendo pela educação?







Penso que não existe nação sem cidadãos e comunidades fortes, presentes. Nesse sentido investir na descentralização, nos Estados e municípios, na comunidade seria um grande presente à nação. Seria um ato de grandeza.




Existem coisas que só o governo federal pode e deve fazê-las. Agora, há ações que precisam ser feitas e valorizadas na e com a comunidade.
 

Um bom exemplo disso é PDDE – Programa Dinheiro Direto na Escola, do governo federal. Chega de projetos assistencialistas que não contribuem para o desenvolvimento do país. É fundamental ações que valorizem a região e contribuam para a geração de renda e empregos.

 



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