Voz na estrada

Como está seu principal instrumento de trabalho? Faça o teste inédito e descubra se você tem algum tipo de disfonia

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Patrícia Gil



 

Um projeto inédito no Brasil ocupou nos últimos três anos nove instituições particulares de ensino superior na Zona Norte de São Paulo. Ele é realizado por uma comissão que envolve a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Subdelegacia do Ministério do Trabalho e Emprego na região e os sindicatos de professores e de estabelecimentos de ensino. A revista
Educação

apresenta com exclusividade um dos principais ganhos dessa pesquisa para a saúde do professor.



Trata-se de um questionário de auto-avaliação que foi reconhecido no 3º Consenso Nacional de Voz, realizado em agosto, como teste a ser aplicado para todas as profissões que têm a voz como instrumento principal de trabalho. Essa ferramenta deve ser utilizada por educadores e apresentada a um médico otorrinolarigologista para avaliação de possíveis problemas no aparelho fonador. E serve, principalmente, como alerta aos profissionais para os sintomas das chamadas laringopatias.



O trabalho da comissão começou com a análise do processo de trabalho do professor. “Nosso primeiro desafio foi conseguir entrar nas instituições”, conta Sandra Irene de Almeida, médica e auditora do Ministério do Trabalho e Emprego, de quem partiu a iniciativa do programa.

O principal objetivo do trabalho era analisar a população dos educadores que atuavam na região e não promover uma intervenção mais individual ou ambulatorial. E está justamente aí a novidade dessa pesquisa. Segundo Sandra, nunca houve no Brasil um trabalho com essa abrangência.



O segundo passo dos pesquisadores foi aplicar o questionário e passar dicas de prevenção de laringopatias ao professor, que aqui reproduzimos no quadro da página X. Por fim, a comissão pretende, a partir do diagnóstico, implementar medidas que interfiram no ambiente de trabalho e controlem os casos de disfunção da voz, ao lado das comissões de saúde existentes em cada estabelecimento.



Mas a grande novidade desse trabalho está na metodologia, agora afinada e reconhecida. Cerca de dois mil professores já responderam o questionário e a comissão retornou a essas instituições para avaliar se as orientações repassadas aos educadores realmente surtiram efeito. Os dados impressionam, conta Sandra.

Dos quatro sintomas da síndrome disfônica (dor ou irritação na garganta, sensação de corpo estranho na garganta, vontade de pigarrear e alteração de voz), todos apareceram menos, à exceção da rouquidão em homens. Nas conclusões de Sandra, o aumento no consumo de álcool e tabaco são os culpados.



Quanto à organização do trabalho, não houve piora nos indicadores apresentados no primeiro resultado do estudo. Mas ainda preocupa a persistência de turmas com mais de 50 alunos em sala de aula, o que mostrou ter relação direta com os sintomas de síndromes disfônicas entre professores.



O programa coordenado pela comissão deverá ser expandido em 2005 para o interior do estado de São Paulo, sob a batuta de Sandra, em nome do Ministério do Trabalho e Emprego. Na capital paulista, a pesquisa também está sendo aplicada no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet). “Estamos tendo agora a primeira experiência desse tipo em uma entidade pública”, lembra Sandra.


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