Viviane Senna

presidente do Instituto Ayrton Senna

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Na sua opinião, qual o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?




Não podemos falar em um único desafio. Nossa experiência mostra que para melhorar a qualidade da educação temos de desenvolver um conjunto de ações integradas, que caracterizem uma política pública voltada para a qualidade da aprendizagem:




1) definir o que se espera da aprendizagem dos alunos ao final do ano letivo e que essa meta seja de conhecimento de todos os profissionais de educação;



2) estabelecer indicadores e metas anuais de aprendizagem, estruturados em planejamentos constantemente avaliados e sob a responsabilidade de todos os profissionais envolvidos;




3) institucionalizar instrumentos de acompanhamento sistemático do processo de aprendizagem;




4) informatizar os instrumentos de acompanhamento para dar agilidade ao processo;




5) capacitar professores e recuperar alunos a partir das necessidades detectadas.




 





A preocupação do Terceiro Setor com a educação é fruto de políticas governamentais ineficientes na área?





A educação não é responsabilidade somente do setor governamental, mas de toda a nação. Enquanto a educação não for colocada como um projeto nacional, portanto de todos, continuaremos a debatê-la, a buscar culpados, e a não enxergar muitas ações positivas, inclusive as ações realizadas pelo setor governamental.




Ao Terceiro Setor cabe o compromisso de contribuir e apontar rumos para as causas públicas, construir soluções efetivas, eficazes e eficientes, imprimir agilidade às ações, mas sempre junto aos governos de todas as esferas, cobrando-lhes a determinação e o compromisso inerentes ao setor.



O Terceiro Setor representa a possibilidade da continuidade e da manutenção de programas educacionais, mesmo nas trocas de governos, garantindo seu caráter de projeto nacional.



 





Na sua avaliação, qual o diagnóstico da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação brasileira vive?





O principal problema é a falta de uma política de alfabetização eficiente que leva ao grave quadro de fracasso do ensino fundamental, com altos índices de distorção idade/série, de abandono e reprovação, um baixo nível de desempenho, principalmente na alfabetização, além de ainda termos uma porcentagem de crianças entre 7 e 14 anos fora da escola. Ainda não conseguimos atender aos 100% de demanda nesse sentido.





Por sua vez, o ensino médio apresenta enorme déficit não só de vagas, mas também de professores, além da baixa qualidade de aprendizagem. Diante desse quadro, é fundamental entendermos a educação como um processo em que se estabeleçam prioridades, que seja mantido e acompanhado, no mínimo, por 12 anos, por equipes tecnicamente competentes e comprometidas com resultados a serem aferidos por avaliação externa.




 


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