Visão do paraíso

A visita de seis educadores brasileiros às escolas do país líder do Pisa

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O Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação (Consed) organizou uma missão de secretários interessados em conhecer o sistema educacional finlandês. A reportagem de Educação acompanhou os passos de Maria Auxiliadora Rezende, presidente do Consed e secretária de Educação de Tocantins; Paulo Roberto Bauer, secretário de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina; Mariza Abreu, ex-secretária de Educação do Rio Grande do Sul; Eunice de Oliveira, secretária-assistente de Educação do Distrito Federal; Hélvia Paranaguá, secretária-assistente de Educação Integral do Distrito Federal; e José Fernandes Lima, secretário de Educação de Sergipe. Durante uma semana, os secretários conheceram de perto escolas finlandesas e falaram com os responsáveis pela educação nos âmbitos federal e municipal. Segundo o Consed, as despesas foram pagas pelos gestores ou pelos órgãos aos quais estão vinculados.
Durante a visita às escolas, as reações passaram pela surpresa, pela inconformidade e até por uma tristeza de quem se via tão longe daquela realidade. Na Escola de Ensino Médio Regular de Artes Visuais, por exemplo, Mariza Abreu afirmou se sentir "humilhada". Ao entrar nos laboratórios de fotografia, os secretários se depararam com uma estrutura que muitas escolas técnicas profissionalizantes não têm no Brasil. Apenas em uma sala, havia seis computadores Macintosh, usados para a edição de imagens.

Na mesma escola, a presidente do Consed observou: "é uma escola mais próxima da realidade, que prepara para a vida. A maioria das nossas escolas é burocrática e lida mal com o conteúdo formal". Para ela, o que foi visto na Finlândia não é o tipo de tarefa que um gestor de educação consegue realizar sozinho – chegar a esse ponto exige mais do que pode um secretário de Educação. "A sociedade inteira se organizou e teve uma mudança de  mentalidade do país. Existe um pacto aqui que vai além de partido."

Na opinião de Auxiliadora, a população brasileira não absorveu que educação é prioridade. "No Brasil, a gente escuta que a educação é rica, que tem dinheiro demais. É como se a gente incomodasse outras áreas de governo. Aqui, todo mundo entende que é prioridade", pontua.

Todos reclamaram da falta de clareza a respeito do ensino médio brasileiro. "Nosso ensino médio está muito chato. É um prolongamento do ensino fundamental. Nos perdemos. Se não tem de ser profissionalizante, no sentido de ser capacitador para uma atividade do mercado de trabalho diretamente, ele pode ter uma ênfase", avalia Mariza Abreu, em referência ao modelo finlandês.

O único momento em que os secretários sentiram que o sistema brasileiro funciona melhor foi durante a palestra sobre formação de professores. Na opinião de Mariza Abreu, ela é pouco inovadora. "Se você olhar no currículo, tem mais carga horária de fundamento de educação e psicologia, de teorias da educação geral, do que dos conteúdos como língua, matemática, história. É uma crítica que fazemos aos cursos de pedagogia do Brasil", disse.
A julgar pelos resultados brasileiros, é difícil acreditar.  

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