Vera Costa Gissoni

professora da Universidade Castelo Branco, no Rio de Janeiro (RJ)

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?


A conquista do direito à educação básica, garantido constitucionalmente, representa a meu ver um avanço, apesar de não ser plenamente respeitado na prática. A expansão desse nível de ensino, que alguns educadores interpretam como uma “política dos grandes números”, embora se constitua em fator de progresso, não vem sendo acompanhada em muitos casos pela melhoria da qualidade, que se faz necessária.

Essa expansão trouxe a público a discussão do direito à educação como parâmetro determinante para a cidadania, bem como das políticas públicas de inclusão. É importante considerar a gritante diferenciação existente entre as escolas brasileiras. Algumas desenvolvem uma educação para formação de “atores”, enquanto outras formam “espectadores”.

Não estamos defendendo aqui a idéia de “escolas uniformes”, mas a de escolas que tenham uma unidade, para que possamos falar em sistema nacional de educação básica.

Cabe salientar o problema trágico da evasão escolar e suas perversas conseqüências na educação brasileira.

Outro fator que julgamos fundamental é a adoção de um sistema de educação descentralizado, com responsabilidade e com autonomia centrada no corpo social de cada escola. Para tanto, é imprescindível investir na formação dos docentes, nos planos de carreira e em políticas salariais compatíveis com o papel da educação na sociedade moderna.

Considero que há muitos avanços, mas não devemos perder de vista que educação é processo. Assim sendo, temos muito a fazer, tanto individualmente quanto institucionalmente, em nossas escolas e universidades.

 


Na sua opinião, qual é o principal desafio para alcançar o desenvolvimento e a qualidade da educação básica, fundamental e média?


Passa, sobretudo, pela formação do professor e dos profissionais da educação, ou seja, os especialistas. O professor precisa ter uma formação geral sólida, ser conhecedor das novas tecnologias, ser um especialista na área em que atua e ter uma atitude de prática investigativa, ou seja, ser um professor-pesquisador. É necessário e urgente que as autoridades educacionais do país estruturem políticas que viabilizem essa formação e contemplem programas que dêem suporte à nova visão de gestão escolar, que já comentamos na questão anterior.

Em contrapartida, é preciso que as autoridades dêem condições de trabalho aos docentes e os valorize.




Hoje em dia, o que caracteriza um bom professor? O que mudou no bom professor atual em relação ao bom professor de antigamente?


Hoje o avanço tecnológico, científico e cultural é muito veloz, o que exige do professor uma nova formação e postura. Ele convive com as novas tecnologias e com as múltiplas linguagens. Seu papel é de um orientador do ato de estudar justamente para que o aluno saiba buscar, selecionar, analisar e criticar todas as informações e os conhecimentos que chegam, em grande quantidade e de qualidade diversa, por várias vias, possibilitando que ele construa seu próprio conhecimento. Hoje, mais do que nunca, precisamos desenvolver o princípio da educação continuada, estar em constante aprender e transformar o ato de ensinar também em um novo aprendizado, ou seja, um processo dialógico, como dizia Paulo Freire. O professor não é mais um simples transmissor do conhecimento acumulado, como antigamente, quando professor/escola e o livro eram praticamente os únicos veículos de transmissão do saber.

Mais uma vez reafirmo que é urgente investir mais na formação desse profissional e que a educação deve estar efetivamente na lista das prioridades nacionais e não ficar apenas no discurso político.



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