Um voluntariado especial

Com projetos premiados, colégios ensinam respeito às diferenças por meio da integração de alunos portadores de deficiências

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Lígia Ligabue e Jéssika Torrezan

A lei que regulamenta a permanência de alunos portadores de necessidades especiais em colégios das redes pública e privada está em vigor desde 1999. Apesar disso, ainda são raras as escolas que acordaram para a importância de valorizar a integração entre seus alunos e os portadores de necessidades especiais. Entre as exceções, bons exemplos de inclusão vêm de duas pequenas cidades do interior de São Paulo.



Os projetos do colégio estadual Dr. Genésio Cândido Pereira, de São Bento do Sapucaí, e do colégio particular Van Gogh, de Holambra, provam que a parceria entre comunidade, escola e poder público pode ajudar os jovens a compreender e a se relacionar da melhor forma possível com os estudantes especiais. Para os diretores das escolas, o envolvimento de estudantes e professores nesses projetos enriquece a grade curricular, cria senso de responsabilidade e expande a consciência crítica dos alunos, a partir da experiência com voluntariado.






Inclusão

– Em Holambra, cidade com 8 mil habitantes, conhecida por ser pólo de produção de flores, o colégio Van Gogh, em parceria com a Oficina Abrigada, proporciona aos portadores de deficiência a oportunidade de inserção no mercado de trabalho por meio da inclusão digital. A escola cede o espaço, os professores e os voluntários, e a Oficina Abrigada dá apoio psicológico e pedagógico aos alunos. “A idéia inicial era preparar para o mercado de trabalho alunos portadores de deficiência mental leve, para que eles tivessem maior chance de inserção profissional”, afirma Geraldo Guilherme José Eysink, diretor do colégio. Com a primeira turma de alunos, o projeto se expandiu. “Percebemos que alguns não eram alfabetizados, então, optamos por juntar a alfabetização à inclusão digital.”





Desde 2002, duas professoras e alunos voluntários participam do projeto
O Computador como Instrumento de Alfabetização – Um Diferencial na Vida dos PPDs

(sigla para Portador de Deficiência). “Eu nunca tinha convivido com essas pessoas, está sendo uma experiência maravilhosa”, afirma Kelly Regina Esperança, de 17 anos, aluna do cursinho pré-vestibular e voluntária do projeto, desde o início.




Sem preconceito – Com o dinheiro disponível para um projeto de protagonismo juvenil financiado pela Secretaria Estadual de Educação, o colégio estadual Dr. Genésio Cândido Pereira, de São Bento do Sapucaí, decidiu desenvolver entre seus alunos o projeto
A Escola e o Voluntariado Especial

. Todas as semanas, durante as aulas de sociologia, filosofia, português e educação artística, os alunos das 2
a

e 3
a

séries do ensino médio debatem preconceito e ética e realizam trabalhos e brincadeiras sobre temas relacionados a portadores de necessidades especiais.




Com pouco mais de 10 mil habitantes, São Bento tem um instituto de assistência a jovens especiais, o Centro Promocional Comunitário (Ceprocom), mantido pela igreja católica local. “Desde que o projeto começou, vários alunos se tornaram voluntários no Ceprocom. Isso já fez valer a iniciativa”, diz Maria Helena da Silva, diretora do colégio.




Em Holambra, os alunos também se mobilizaram em torno do projeto. “Quanto mais os alunos se envolvem, mais desenvolvem essa consciência cidadã”, afirma o diretor. Segundo ele, essa experiência servirá para a vida toda. “Um aluno que trabalhou com portadores de deficiência física, se virar um engenheiro civil, irá considerar em seus projetos as necessidades dessas pessoas”, acredita.




Elen da Rocha, professora de informática, define a experiência como gratificante. “No início, achei que seria mais difícil, fiquei apreensiva, mas os alunos que se envolveram e os portadores de necessidades especiais provaram que as dificuldades podem ser superadas, com paciência e determinação”, lembra.




A escola Dr. Genésio ampliou o projeto e organizou, em 2003, a
Semana da Vivência

, em que os alunos da escola e a comunidade convivem diariamente com as pessoas atendidas pelo Ceprocom.




Depois de um ano de trabalho, o colégio – que tem cinco alunos portadores de necessidades especiais matriculados com os demais – pretende estender o projeto para todas as séries do ensino médio.


O diretor do Van Gogh ressalta a facilidade em implantar projetos desse tipo. “A idéia é simples, não custa caro e traz grandes resultados.” As duas iniciativas estiveram entre as vencedoras da edição deste ano do
Prêmio Construindo a Nação

, oferecido pelo Instituto Brasileiro para o Desenvolvimento da Cidadania e pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. O prêmio contempla projetos que promovam a integração entre escolas e comunidade.


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