Túnel do tempo

Processo de tombamento de 123 prédios escolares construídos em São Paulo durante a Primeira República aguarda homologação

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Rubem Barros





 




Um conjunto de 123 prédios públicos escolares paulistas, construídos no período de 1894 a 1925, na Primeira República, aguarda há três anos a homologação de seu tombamento pelo governo estadual. Localizados em 98 municípios, eles ajudam a contar um importante momento da educação pública paulista e, por extensão, brasileira. Em agosto de 2002, receberam parecer técnico favorável ao tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).








 Renato Stockler





 Interior da escola Romão Puiggari, no Brás, em São Paulo






A homologação do processo depende apenas da decisão sobre as áreas em torno dos edifícios (áreas envoltórias). Segundo a legislação, além dos prédios, as construções que estiverem num raio de 300 metros em relação ao objeto tombado também deveriam ser preservadas. Como as escolas em sua maioria estão em regiões centrais, os técnicos recomendaram que apenas os prédios tivessem a obrigatoriedade de preservação.





As escolas em questão se tornaram um símbolo da era republicana e da influência positivista. Naquele momento, o ensino público passava a ter como objetivo a equalização das oportunidades, com o Estado garantindo a escola primária gratuita e laica, dentro do ideário liberal. Para garantir que isso efetivamente ocorresse, a partir de 1890 passou-se a investir na construção de escolas que seguiam o modelo adotado por Jules Ferry, ministro francês da Instrução Pública, que iniciara plano semelhante dez anos antes.





Beneficiado pelas divisas geradas com a exportação de café, São Paulo foi o primeiro Estado a organizar um sistema de ensino público de massa, depois tomado como modelo por outros estados. Até o Império, as poucas escolas públicas reuniam alunos de diversas faixas etárias nas mesmas classes e havia poucos critérios pedagógicos. Com a República, implantou-se um programa de estudos unificado, com controle do Estado, e dividido em séries por idade e sexo. A grande inovação foi a implantação dos grupos escolares para o curso primário. Houve, também, aumento expressivo das escolas normais, para formação de professores. De 1890 a 1920, foram erguidos 130 grupos escolares e 10 escolas normais em todo o Estado.





“Nesse momento, começou a se prestar atenção à imagem do prédio público”, diz a arquiteta Sílvia Wolff, da equipe técnica do Condephaat que estudou o tombamento dos prédios e autora da dissertação de mestrado
Os Primeiros Passos da Arquitetura das Escolas Públicas Paulistas

, defendida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo em 1992. “Os edifícios eram uma demonstração clara da ordem que se queria introduzir. Por isso, precisavam ser atraentes.”





Assim como a pedagogia começava a descobrir metodologias para tornar o ensino mais atraente, com atividades diversificadas, o espaço físico também ganhou em racionalidade. Silvia menciona, em sua tese, a “preocupação de reduzir cada espaço às características ideais e precisas para seu perfeito funcionamento e localização”, própria do ecletismo, escola arquitetônica que havia norteado os franceses.





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