Traços artesanais contra a padronização

Muitas crianças desconhecem que a animação no cinema também esconde preciosidades artesanais

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Cenas da animação O conto da Princesa Kaguya

Habituadas a consumir a oferta agressiva de superproduções de animação produzidas nos EUA, que costumam ocupar boa parte do circuito exibidor nacional em seus lançamentos e depois se espalham por outras janelas do mercado, como os canais pagos de TV e a Netflix, muitas crianças desconhecem que a animação no cinema também esconde preciosidades artesanais, como o brasileiro O menino e o mundo (2013), de Alê Abreu, que deu continuidade em 2015 a uma carreira internacional recheada de prêmios.

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Um dos mais recentes exemplos desse notável “lado B” da animação no cinema é a produção japonesa O conto da Princesa Kaguya (Japão, 2013, 137 min), que disputou o Oscar da categoria em 2015 (vencido por Operação Big Hero). Oito anos de trabalho, executado por centenas de artistas, foram necessários para concluir o longa, assinado pelo já lendário Studio Ghibli – a casa do mais celebrado profissional de animação em atividade, o diretor Hayao Miyazaki, e de outros mestres, como o diretor Isao Takahata.

É o também veterano Takahata, 80 anos, quem assina O conto da Princesa Kaguya, baseado em uma história do folclore japonês sobre uma garota que nasce de um bambu e que, ao crescer, se torna princesa, sendo cortejada por diversos homens ricos e poderosos. Essa personagem fantástica cumpre na Terra uma espécie de missão, que os traços artesanais do filme se encarregam de tornar ainda mais envolvente, em uma abordagem muito diferente da executada pelos grandes sucessos do cinema de animação.

Mercado
O ranking global de bilheteria em 2015 apresentou quatro longas-metragens de animação entre os 20 filmes de maior arrecadação nos cinemas: Minions, Divertida Mente, Hotel Transylvania 2 e Bob Esponja – Um Herói Fora d’Água. Duas características são comuns a todos esses filmes: o fato de serem voltados para a família, com elementos para agradar a crianças e a adultos; e o uso, em maior ou menor grau, de tecnologia digital.

Filmografia
O diretor Hayao Miyazaki – que completa 75 anos em janeiro de 2016 – realizou A Viagem de Chihiro (2001, vencedor do Oscar de animação), O Castelo Animado (2004), Ponyo (2008) e Vidas ao Vento (2013), entre outros longas-metragens de grande circulação internacional, no Studio Ghibli. A Academia de Hollywood lhe entregou em 2015 um Oscar honorário.

Produção
Narrado em duas horas e 17 minutos, O conto da Princesa Kaguya é o mais longo filme de animação na história do Studio Ghibli. Até então, o “campeão” era Princesa Mononoke (1997), de Hayao Miyazaki, com duas horas e 14 minutos de duração.


FILMOTECA

Cuidado quadro a quadro

Os processos de animação artesanais ainda coexistem com as superproduções digitais, fornecendo texturas diferenciadas de imagem que muitas crianças (e até mesmo adultos) desconhecem.

Kiriku e a feiticeira (1998)
O pequeno guerreiro africano Kiriku, que nasce sabendo andar e falar, é o mais popular personagem do diretor e roteirista francês Michel Ocelot, 72 anos, realizador também de Príncipes e princesas (2000), Kiriku – Os animais selvagens (2005), As aventuras de Azur e Asmar (2006), Contos da noite (2011) e Kiriku – Os homens e as mulheres (2012).

As bicicletas de Belleville (2003)
O diretor e roteirista francês Sylvain Chomet, 52 anos, ganhou projeção internacional quando recebeu duas indicações ao Oscar (melhor longa e melhor canção original) por essa animação sobre ex-dançarinas trigêmeas que ajudam a elucidar um sequestro. Chomet foi novamente indicado ao Oscar de melhor animação por O ilusionista (2010).

Wallace e Gromit – A batalha dos vegetais (2005)
A produtora inglesa Aardman, especializada em animação stop motion, transformou o inglês Wallace e seu cão Gromit no principal cartão de visita do estúdio (que assinou A fuga das galinhas). Antes de chegar ao longa-metragem, a dupla protagonizou diversos curtas. A coletânea Wallace e Gromit – Uma questão de miolo e morte (2009) reúne outros de seus filmes.

Chico e Rita (2010)
Três diretores – entre eles o espanhol Fernando Trueba, de Belle époque e A dançarina e o ladrão – assinam essa animação que tem início em Havana (Cuba), em 1948, e que se estende a Nova York, Hollywood e Las Vegas (EUA) e a Paris (França), sobre a história de amor, narrada ao ritmo de boleros, entre um jovem pianista e uma cantora.

O menino e o mundo (2013)
Vencedor de dezenas de prêmios internacionais, entre eles o de melhor filme no Festival de Annecy (França), o principal evento de animação do mundo. O diretor e roteirista brasileiro Alê Abreu (Garoto cósmico) coordenou o trabalho de uma equipe que utilizou diversas técnicas artesanais para narrar a história de um menino que cai no mundo em busca do pai.

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