Teresa Cristina Rego

professora da Universidade de São Paulo

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?





A sociedade contemporânea tem proposto, a cada dia, novos e complexos desafios. Hoje ainda não temos os recursos necessários para enfrentar a maior parte dessas demandas. Isso vem exigindo muito estudo, pesquisas e debates.






No Brasil, além de atender às novas demandas da modernidade, precisamos enfrentar o enorme desafio de garantir ensino de qualidade a um grande número de alunos que historicamente estiveram excluídos do sistema educacional. Precisamos aprender a absorver e acolher de fato os alunos que começaram a ingressar na escola com a maciça expansão das matrículas no ensino fundamental. Precisamos aprender a atender com eficiência às necessidades de alunos de origens e interesses muito diversos; alunos, como disse o sociólogo francês Bernard Charlot, para quem a escola até hoje não fez muito sentido até porque durante muitas gerações seus familiares foram dela excluídos ou expulsos.




 





Da forma como o ensino superior está sendo administrado atualmente, como você avalia a formação dos professores do ensino básico? Eles estão preparados para a sala de aula?





O ensino superior brasileiro apresenta sérios problemas. Preocupo-me especialmente com a falta de apoio dos nossos governantes às universidades públicas brasileiras, verdadeiros centros de excelência que exercem papel crucial no desenvolvimento do país. O problema é que as conseqüências dessa espécie de abandono só serão sentidas nas próximas décadas. Daí talvez seja tarde para remediar os danos.




Estou convencida de que a desejada melhoria na qualidade da educação oferecida às crianças e aos jovens brasileiros passa necessariamente pela valorização e melhor profissionalização dos educadores que atuam no cotidiano das escolas. É por essa razão que, na nossa atual realidade educacional, a formação inicial e continuada de docentes para todos os níveis e modalidades de ensino é um dos principais obstáculos a ser ultrapassado. É, portanto, grande a responsabilidade dos formadores envolvidos no trabalho de preparação de novos docentes. Além de importante, a tarefa é bastante complexa, já que hoje, mais do nunca, é preciso que se construa novos modelos de formação, capazes de substituir ou servirem como alternativa aos tradicionais e problemáticos programas até hoje vigentes.




 






Existe hoje algum modelo no Brasil em ensino fundamental e médio?





Infelizmente não. Existem algumas experiências interessantes que vêm ocorrendo de forma mais ou mesmos isolada em determinadas salas de aula, escolas, secretarias municipais ou estaduais. Mas, de um modo geral, acho que o Brasil ainda tem uma grande carência de exemplos de programas bem-sucedidos.



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