Tempos acelerados

Entre o conceito e a necessidade, escolas particulares tentam atender seu público

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Enquanto a educação integral ainda é incipiente na agenda pública nacional, muitas escolas particulares já há algum tempo oferecem aos alunos a possibilidade da jornada ampliada. Em alguns casos, as atividades extras são uma forma de a própria escola oferecer cursos que a família, assoberbada pela vida moderna, procuraria fora da escola regular, como aulas de língua estrangeira ou esportes. Por outro lado, algumas escolas ofertam a educação integral como ela é entendida pelos estudiosos do tema: uma educação que abranja as várias possibilidades da aprendizagem e garanta uma formação ampla.

Um exemplo desse segundo veio está presente em uma escola da Granja Viana, bairro de classe alta, município de Cotia, na Grande São Paulo. O Instituto Sidarta oferece aulas das 7h30 às 16h, com opção de permanência até 17h45, para cerca de 300 alunos. Desde a educação infantil, os alunos têm aulas de inglês e mandarim. São dois docentes por turma, cada um com uma abordagem diferente. As atividades extras envolvem desde aula de circo e jogos de estratégia até esportes pouco tradicionais como beisebol. "Uma das premissas da educação que oferecemos é que existem várias inteligências, que trazem demandas que não cabem em meio período", diz a diretora Cláudia Siqueira.

A escolha da escola foi fazer com que conteúdos como física e matemática tivessem o mesmo valor que as artes ou a educação física. "A escola tradicional abre pouco espaço para essas questões. Com o passar do tempo algumas linguagens consideradas menos sérias vão sendo tiradas do currículo", diz.

Os alunos também têm algumas obrigações raras de se encontrar em outras escolas, como o dever de ajudar na limpeza. "Os pais sabem que o filho vai pegar um pano e um rodo para limpar o chão, se for preciso. Mas muitos pais quando chegam aqui para conhecer a escola não aceitam isso." A formação do professor também é levada em conta – são cinco horas por semana de estudo e reflexão sobre o trabalho, além das ações que a escola promove junto a prefeituras da região.

Já o Colégio Humboldt, tradicional instituição de ensino bilíngue (português e alemão) de São Paulo, representa a outra face da moeda. Ali, a opção da jornada ampliada é entendida como um opcional que a escola oferece para atender às necessidades dos pais. Há cerca de dez anos, a escola passou a oferecer atividades opcionais desde o jardim de infância, por no mínimo dois dias por semana. De acordo com o vice-diretor do Humboldt, Herbert Zorn, são oferecidas desde atividades mais tradicionais, como balé, judô e instrumentos musicais, até aulas de culinária. Também fazem parte do horário estendido acompanhamento de lição de casa, grupos de estudo e opção de uma terceira língua.

Na opinião de Zorn, um colégio como o Humboldt precisa oferecer algum respaldo às necessidades da família, tendo em vista questões que fazem parte do cotidiano de São Paulo, como o trânsito. Com as atividades extras, o aluno pode ficar até depois das 17h sob supervisão e desenvolver alguma possibilidade de educação, por um valor que aumenta progressivamente de acordo com a quantidade de dias da semana. "As crianças gostam desse extensivo, pois é uma programação mais ‘light’. Não vejo nenhum problema nisso", afirma o vice-diretor.
(GJ)

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