Táticas e estratégias

Escolas precisam buscar sintonia com a contemporaneidade

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Uma disputa desigual. De um lado, os apelos da vida cotidiana, como celulares, computadores, televisão e baladas, além de agendas carregadas de cursos de línguas, terapia e esportes. De outro, conhecimentos que parecem mortos e inúteis para os estudantes. É com essa realidade que os educadores, especialmente aqueles que trabalham em escolas que atendem alunos de classe média, têm de se defrontar para despertar o interesse pelo conhecimento nos jovens.

"Trazer o aluno para a aprendizagem não é fácil. O professor tem de estar preparado para mostrar coisas novas. Várias situações conseguem desviar a atenção dos estudantes. É papel da escola trabalhar essa atenção, fazer com que se aprofundem nos conteúdos", diz Silvana Leporace, ex-professora e hoje coordenadora do Serviço de Orientação Educacional do Colégio Dante Alighieri, escola criada há 95 anos em São Paulo.

Há 25 anos no colégio, Silvana diz que o ensino de maneira geral mudou bastante nesse período, especialmente o enfoque dados aos diferentes currículos. "As situações são outras, os alunos precisam ser mais ativos nas situações de aprendizagem, o pensamento é menos linear", acredita.

Em função disso, os professores do Dante mudaram as estratégias em sala de aula. Têm explorado mais seu repertório de vivências e habilidades e destinado olhares mais particularizados para cada sala ou mesmo aluno. As mudanças também se refletem no espaço físico. Hoje, trabalha-se mais em círculos, semicírculos, grupos ou duplas, ao contrário dos tempos em que as fileiras estáticas predominavam.

Outra mudança expressiva é o uso de diversos tipos de linguagem no processo de exposição dos conceitos. Recursos como mapas, gráficos e tirinhas vieram se juntar à leitura, antes predominante.

Não por acaso, as linguagens citadas por Silvana são todas visuais. "O visual hoje é extremamente importante. O aluno está mais acostumado a mensagens rápidas por causa da internet e da TV. Eles são diferentes, já nasceram em outra sociedade. A escola não pode deixar nada de fora, tem de cuidar da modernidade e lidar com os dados da realidade. Nossos muros não são impermeáveis ao que vem de fora", diz.

Um aspecto que chama a atenção da coordenadora é o alto grau de ansiedade dos jovens, que se queixam de pressão da escola, da família, do vestibular e da sociedade em geral. Também sentem muita angústia sobre o que vão encontrar mais à frente em suas vidas profissionais. Por isso, têm medo de errar na escolha da carreira e que isso comprometa o resto de suas vidas.

"Procuramos mostrar que o essencial, neste momento, é que eles tenham uma boa formação e que nem sempre as pessoas trabalham na mesma área do curso que fazem na faculdade", conclui.

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