Tarso Genro

presidente nacional do PT e ex-ministro da Educação

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?


Nos últimos 30 anos, o Brasil universalizou o acesso ao ensino fundamental. Hoje, 97% das crianças entre 7 e 14 anos estão na escola. Uma conquista importante, mas que não foi conduzida da melhor maneira. O foco no ensino fundamental prejudicou o atendimento das demais etapas do ciclo básico. Faltam vagas no ensino médio. De cada cem alunos do ensino fundamental, apenas 31 avançam ao ensino médio. Na educação infantil, mais de 9 milhões de crianças com até 6 anos não freqüentam instituições de ensino. O salto de matrículas no ensino fundamental também não foi acompanhado de avanços no aprendizado. Em português e matemática, nem 10% dos alunos brasileiros têm rendimento adequado ao seu nível de ensino. É por isso que estamos propondo a criação do Fundeb. Muito mais abrangente que o atual Fundef, o novo fundo investirá na educação infantil, no ensino médio e na educação de jovens e adultos, além do ensino fundamental. Com o Fundeb, haverá mais recursos para a valorização e remuneração dos professores e para a melhoria das escolas. A educação não pode ser tratada com “foco”, mas integralmente em todas as suas etapas e modalidades, da alfabetização à pós-graduação. E é assim que estamos trabalhando.




Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?


Qual a educação que nós queremos para o nosso país? Uma educação para poucos ou uma educação que garanta sustentabilidade a um projeto de nação democrática e soberana? Isso implica debater e enfrentar interesses enraizados historicamente. Desafios que estamos enfrentando com uma política clara e determinada. Criamos o mais forte programa de alfabetização já implantado no país, que é o
Brasil Alfabetizado

. A meta é expandir o programa para todos os municípios do país ainda este ano. Alfabetização integrada à educação de jovens e adultos. Não basta alfabetizar, mas garantir oportunidade para que essas pessoas continuem a estudar. Até agosto, vamos iniciar um conjunto de programas de formação de professores da rede pública para melhorar e atualizar a didática dos docentes e, assim, elevar a qualidade do ensino. Estamos ampliando o ensino técnico e formando jovens profissionais prontos a contribuir com o desenvolvimento do país. Após um processo de desmonte, estamos recuperando e fortalecendo o ensino superior público e gratuito com mais recursos, novos professores, novas universidades e campus universitário. Para 2005, as instituições federais de ensino superior têm um orçamento de R$ 802 milhões, 39,7% a mais em relação a 2004. Essas ações traduzem o compromisso do nosso governo com uma educação de qualidade, inclusiva e transformadora.




Por qual ação política ou projeto você gostaria que sua gestão fosse lembrada?


O tema da educação não é um projeto pessoal ou de um governo, mas sim de construção de um país. E é assim que estamos agindo, com a implementação de políticas estruturantes, de médio e longo prazo. Políticas que se articulam com os Estados e municípios, de acordo com o regime de colaboração e autonomia do sistema federativo brasileiro. O que nós queremos é que o tema da educação seja cada vez mais refletido, debatido e incorporado pela sociedade em um processo democrático e republicano de construção de um país de todos.



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