Tão diferentes, tão iguais

Obra apresenta reflexão bem-humorada sobre tolerância e convida leitores a respeitar e valorizar a diversidade

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Professor, quantas vezes a tolerância já esteve entre as temáticas trabalhadas em suas aulas? Você contribui para o debate sobre como a diversidade de uma sala de aula pode representar um caldeirão de conhecimentos a ser explorado pelos alunos? Os materiais selecionados para a turma, bem como as temáticas, têm incentivado o respeito ao outro?

Com o objetivo de suscitar reflexões críticas nas crianças sobre as noções de preconceito, empatia, regras sociais e diversidade, acaba de ser lançado, pela Companhia das Letrinhas, a obra Quem é você?. Um livro sobre tolerância, ótimo ponto de partida para tratar de um tema que está tão em voga, mas que, ao mesmo tempo, é pouco exercido pelas pessoas.

Para ajudar educadores nessa tarefa, o livro está repleto de perguntas que instigam os leitores a desenvolver pensamentos críticos a respeito de si e dos outros, em vez de fornecer respostas prontas ou enfatizar as pequenas regras de comportamento. A partir de uma linguagem muito bem-humorada, a autora sueca Pernilla Stalfelt se debruça sobre a premissa de que os seres humanos são tão parecidos quanto diferentes, e que isso os deixa em condição de igualdade.

As ilustrações, inúmeras e presentes do começo ao fim do livro, são da própria autora e merecem atenção especial. Isso porque os desenhos em si já são materiais que podem suscitar discussões interessantes com as crianças sobre como as disparidades podem ser enriquecedoras.

O livro começa a abordagem sobre a tolerância tratando das diferenças entre as pessoas e como os choques provocados pela pluralidade de pensamentos, hábitos e culturas podem ajudar na compreensão de outros modos de vida. A tolerância é definida como a capacidade de respeitar as pessoas como elas são e de aceitar o que não podemos mudar e não nos prejudica.

A partir daí, a obra aborda a construção dos estereótipos e de como é importante questioná-los em vez de reproduzir ideias generalistas que incentivam o preconceito. Esse tema recebe atenção especial e é definido pela autora como um julgamento antecipado sobre um assunto, sem que haja uma investigação profunda dele. Assim nasce a intolerância, que pode se manifestar em forma de violência, diz ela.

Para tentar solucionar o estranhamento causado pelo outro e as reações desproporcionais, Pernilla propõe uma regra interessante: que os leitores façam com os outros apenas aquilo que gostariam ser feito a eles mesmos. E termina com uma lista de itens que demonstram as semelhanças entre todos os seres humanos.

O grande trunfo do livro é, sem dúvida, conseguir tratar de temas tão complicados de forma leve e convidar as crianças a filosofar a respeito de questões importantes e atuais, que não fazem apenas parte do mundo adulto, precisando ser trabalhadas desde muito cedo.

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