Sônia Maria Mograbi

secretária Municipal de Educação do Rio de Janeiro

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica e fundamental no Rio de Janeiro? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação carioca vive?


O município do Rio de Janeiro tem uma rede atípica em relação às demais capitais brasileiras. Produto da fusão do Estado da Guanabara com o Estado do Rio, a rede possui, hoje, 1.054 escolas, 203 creches públicas com 750 mil alunos e dá apoio financeiro a mais 162 creches conveniadas. Somos responsáveis, dentro da educação básica, pela educação infantil e pelo ensino fundamental.

O tamanho da rede, sempre em crescimento, poderia se constituir em um problema de difícil urgência, caso não fossem adotadas medidas importantes a partir de 1994, quando teve início o processo de descentralização administrativa e financeira, acompanhado de uma proposta pedagógica, que se constituiu no Núcleo Curricular Básico, MultiEducação, hoje sendo atualizado.

As escolas estão agrupadas por Áreas de Planejamento da Cidade, constituindo as Coordenadorias Regionais de Educação (CREs), que possuem orçamento próprio, baseado no número de alunos. As escolas recebem recursos que podem utilizar para suas necessidades e para desenvolvimento de seu Projeto Político-Pedagógico.

Considero este um avanço, assim como o investimento vigoroso na pré-escola. Tínhamos menos de 20 mil crianças de 4 e 5 anos, em 1993, e hoje estamos com 100 mil.

Universalizar a pré-escola é nosso desafio, pois consideramos que a constituição de conhecimentos e valores em mais tenra idade vai proporcionar um melhor desenvolvimento da aprendizagem nas etapas posteriores como, também, caminhar, de forma mais efetiva, para a cidadania.

Um outro ponto a destacar é o aumento em 252% do atendimento na educação de jovens e adultos no período de 2001/2004. Se essa é uma oportunidade de inclusão, temos que ficar atentos e não perder de vista que o fluxo, na idade apropriada, é fundamental. Nosso principal desafio é não somente a entrada do aluno na rede, mas a permanência e o êxito escolar. Mesmo não sendo nossa responsabilidade constitucional, ressalto a necessidade de ampliação do número de escolas de ensino médio, no horário diurno, como uma reivindicação da cidade.








Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?

Garantir recursos para o financiamento da educação básica, da parte das três esferas governamentais: União, Estados e municípios. Valorizar o magistério e desenvolver programas de qualificação continuada para que o professor possa estar preparado para trabalhar com a diversidade de nossos alunos. Manter um diálogo permanente com a comunidade escolar. Dotar as escolas de espaços apropriados para atividades diversificadas. Investir nos gestores: um bom diretor faz a diferença.






Como levar a educação para os morros? Que atitudes, dentro da área educacional, podem ser eficientes para aproveitar o potencial cultural que existe nos jovens dos morros?


A educação municipal, no Rio, já existe nos morros e demais comunidades. Nossa secretaria é a que possui a maior capilaridade na cidade. Aliás, os alunos dessas áreas estão também em outras escolas localizadas no asfalto.

Não somente nessas escolas, mas em qualquer escola, é fundamental que se valorize a identidade de nossos alunos, a criatividade e a potencialidade. Temos investido em nossas Unidades de Extensão como Clubes Escolares, Núcleos de Arte e Pólos de Educação pelo Trabalho, assim como nossos alunos são os principais usuários das Vilas Olímpicas da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer.

Com essas ações, nosso aluno pode optar por completar o horário escolar dentro de atividades com que ele mais se identifica.



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