Sistematização do fazer pedagógico

Obra destaca a importância do planejamento para a apropriação do conhecimento pelos alunos

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Embora o ensino de língua materna tenha sofrido um redirecionamento há aproximadamente 30 anos – quando passou a ser orientado pela concepção sociointeracionista de linguagem, fato que implicou mudança do objeto de ensino –, não são raros os professores que ainda se sentem inseguros na condução do trabalho pedagógico centrado nas práticas de uso da língua e de reflexão sobre seus fatos. Ensinar língua pelo viés interacionista requer do professor, em primeiro lugar, vontade de querer mudar. No entanto, a complexidade do processo pedagógico envolve também outras questões: a definição dos objetivos do ensino, a escolha dos objetos de estudo e sua distribuição nas jornadas, os recursos didáticos, as metodologias, as formas de avaliação.

Nesse sentido, a obra O fazer cotidiano na sala de aula, das organizadoras Andréa Tereza Brito Ferreira e Ester Calland de Sousa Rosa, traz relevante contribuição para os educadores por discutir questões relacionadas à organização do trabalho pedagógico no ensino de língua, à luz de uma concepção de linguagem que considera aspectos de sua natureza social. Perpassa por todos os capítulos a preocupação das autoras em esclarecer que, embora haja inúmeras trajetórias quanto ao modo de organizar o trabalho pedagógico, as escolhas do professor, necessariamente, deverão estar atreladas às finalidades do ensino, bem como respaldadas em bases teórico-metodológicas definidas claramente. Além disso, de modo oportuno, defendem que a sistematização no fazer pedagógico é condição essencial para a apropriação do conhecimento pelos alunos.

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Ferreira e Calland esclarecem que o trabalho do educador não pode se realizar por meio de improvisos e que associar a necessidade de realização de planejamento a práticas educacionais tradicionais resulta de um equívoco gerado por má compreensão dos pressupostos do construtivismo. Sem dúvida, a interpretação desviada dessa corrente teórica tem impactado negativamente as salas de aula, em especial nos anos iniciais, quando o trabalho simultâneo com o sistema de escrita alfabética e os gêneros textuais precisa encontrar equilíbrio.

Há uma série de caminhos que podem ser trilhados a partir de elementos fornecidos pela obra, cujo leitor-alvo é o professor atuante nas séries iniciais. Porém, ela não se restringe a esse público, uma vez que as questões nela abordadas envolvem o fazer pedagógico relativo à leitura, escrita e análise linguística, portanto, traz no bojo subsídios também aos professores e estudantes das áreas de letras e pedagogia.

Angela Mari Gusso é doutora em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFP) e professora adjunta da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

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