Sílvia Pereira de Carvalho

coordenadora executiva do Instituto Avisa Lá

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Em um país onde há 57 milhões de alunos no ensino básico e 87% desse contingente freqüenta a rede pública é de se esperar toda a sorte de problemas e desafios aos gestores da educação. No entanto, do extenso rol de questões que afetam a área, nada é mais grave do que o fato de que a escola brasileira tem contribuído para a formação de analfabetos funcionais. Segundo o Censo de 2003, 55% dos alunos da 4
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série do ensino fundamental não sabem ler e escrever com um mínimo de compreensão. Como o país reagiria se 55% dos prédios construídos caíssem, ou se essa mesma porcentagem dos carros produzidos aqui não conseguissem rodar? Certamente seria um escândalo e providências enérgicas seriam tomadas para reverter a situação. Porém, há anos, os índices sobre leitura e escrita são sobejamente conhecidos e as ações estão muito aquém do que seria necessário. Saber ler e escrever com competência é base para inúmeras outras aprendizagens, sem falar na participação plena como cidadão.
  






 





Principal desafio




Reverter o quadro acima o mais rápido possível. Isso vai exigir um compromisso de toda a sociedade com o ensino e a aprendizagem de qualidade. Os gestores de educação, as escolas, os técnicos, os professores são responsáveis pelos resultados dos alunos. As famílias e a comunidade precisam exercer um papel coadjuvante de acompanhamento e cobrança da qualidade do ensino.






Toda criança tem que ter sucesso na escola, tendo apoio positivo para o desenvolvimento de suas capacidades. Para isso ações de formação continuada nas escolas devem ser intensificadas, sempre atreladas aos resultados ligados à elevação dos índices de aprovação dos alunos. É um desafio grande porque pressupõe a criação de uma cultura de formação atrelada ao que ocorre na sala de aula que é totalmente diversa, da matriz generalista que em geral embasa a maioria dos cursos e capacitações dos professores.
 







 






A preocupação do Terceiro Setor com a educação é conseqüência da omissão do governo federal (deste e de outros mandatos) com o assunto?






O Terceiro Setor tem como foco de atuação os direitos das populações excluídas e, como os alunos de baixa renda são os que mais sofrem com uma escola deficitária, é quase imperativa a ação das organizações sociais para contribuir com as mudanças necessárias na educação. Evidentemente a responsabilidade com uma educação básica de qualidade recai com maior intensidade nos governos municipais, estaduais, que são os gestores desse nível de ensino. Mas o governo federal deve e pode exercer mais influência política e técnica, bem como viabilizar recursos para elevar os índices de alfabetização plena no ensino fundamental.




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