Silêncios e revoluções marcam cinema iraniano

Filmes iranianos não costumam estar associados à diversão e ao entretenimento. Pelo contrário, tornaram-se sinônimos de um cinema “cabeçudo”: lentos, complexos ou entediantes. De …

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Imagens de Onde fica a casa do meu amigo? (1987), de Kiarostami

Imagens de Onde fica a casa do meu amigo? (1987), de Kiarostami

Filmes iranianos não costumam estar associados à diversão e ao entretenimento. Pelo contrário, tornaram-se sinônimos de um cinema “cabeçudo”: lentos, complexos ou entediantes. De fato, há um estranhamento diante de um conjunto de filmes que procuram se aproximar de uma linguagem poética valendo-se de atores amadores, imagens em tom documental e histórias distantes do que o público costuma ver no cinema. Mesmo assim, rompido o preconceito inicial, o que se abre diante do espectador é uma filmografia delicada, simples e corajosa – especialmente quando se debruça sobre a vida em uma sociedade fundamentalista.

Abbas Kiarostami, falecido em julho último: principal nome do cinema iraniano

Abbas Kiarostami, falecido em julho último: principal nome do cinema iraniano

Talvez o maior representante da chamada New Wave do cinema iraniano, que circula em festivais e mostras internacionais, seja Abbas Kiarostami, morto no início de julho aos 76 anos. Com Mohsen Makhmalbaf, foi o responsável por apresentar ao mundo, a partir do final da década de 1980, uma obra que procurava enxergar a inocência das crianças e um mundo mágico que se revela na simplicidade das coisas – é importante lembrar que isso se dá em um período de enclausuramento do país após a Revolução Iraniana de 1979. Um desses filmes é Onde fica a casa do meu amigo?, de 1987, em que Kiarostami acompanha um menino que precisa devolver o caderno de um colega, que ele pegou por engano. Usando atores não profissionais, o diretor adota um tom neorrealista para contar uma história tão singela quanto profunda.

Mais recentemente, dois diretores iranianos alcançaram repercussão internacional. Um deles é Asghar Farhadi – cujo A separação levou um Oscar em 2012 – faz um cinema bastante habilidoso em retratar encontros e desencontros no Irã contemporâneo. O outro é Jafar Panahi, bastante conhecido no circuito de festivais, condena­do à prisão e proibido de dirigir filmes por 20 anos por suas críticas ao regime islâmico – a sentença imposta a ele se transformou em Isto não é um filme (2011), documentário gravado durante o período em que aguardava, em casa, a apelação à sua pena.


Filmoteca

gosto-de-cerejaGosto de cereja (1997)

Um homem disposto a se suicidar dirige por Teerã em busca de quem o enterre. Após muitas recusas, encontra alguém disposto a satisfazê-lo. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o filme de Kiarostami reúne os elementos que dão o tom de sua obra: planos longos, silêncios, a paisagem árida e uma reflexão sobre a vida, a morte e o cinema.

 

a-macaA maçã (1998)

Proibidas de sair pelo pai fundamentalista, duas irmãs vivem trancadas em casa por 11 anos. A mãe, cega, pouco pode fazer. Uma denúncia a assistentes sociais permite que as meninas conheçam a vida do lado de fora. Esse é o ponto de partida da obra de Samira Makhmalbaf, filha do cineasta Mohsen Makhmalbaf. Ela tinha só 17 anos quando filmou.

 

copia-fielCópia fiel (2010)

Kiarostami mostra como sua linguagem transcende o Irã com este filme falado em francês, inglês e italiano, com a francesa Juliette Binoche no papel principal. Na Toscana, um escritor inglês e a proprietária de galeria de arte discutem o valor da cópia versus a obra original, em uma história que se desdobra para os relacionamentos amorosos.

 

a-separacaoA separação (2011)

Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012, fez relativo sucesso com a grande audiência internacional, sem perder a complexidade e o olhar crítico sobre a sociedade iraniana. Dirigida por Asghar Farhadi, a história acompanha um casal em crise – ele quer uma vida melhor no exterior, ela precisa ficar para cuidar do pai doente.

 

taxi-teeraTáxi Teerã (2015)

Proibido pelo governo iraniano de dirigir e escrever filmes, Jafar Panahi continua trabalhando: com criatividade e improviso, chega aos festivais internacionais. Neste filme, vencedor do Urso de Ouro em Berlim, Panahi instala uma câmera em um táxi que dirige pelas ruas de Teerã, discutindo com seus passageiros sobre questões morais, políticas e o cinema.

 

 

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