Sérgio Mindlin

diretor presidente da Fundação Telefônica

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?





No que diz respeito à educação básica, quase 100% das crianças estão incluídas, mas a qualidade do ensino e o aproveitamento são baixos. No ensino médio, apesar de ainda ser grande o número de adolescentes que não freqüentam o curso, é crescente o número de matrículas, o que é extremamente positivo. Mas o problema de qualidade é semelhante.




Minha análise é de que a escola não estava preparada para o aumento substancial de matrículas que ocorreu desde 1995. E os professores não receberam capacitação e preparo adequados para esse novo contexto, de classes e escolas lotadas. De forma geral, acredito que os professores tenham baixa qualificação e remuneração. E, por terem de trabalhar em mais de uma escola para conseguir um salário melhor, ficam sem tempo para preparar aulas e se especializarem. Vira um ciclo. Os professores são dedicados, mas com condições de trabalho insuficientes.



Quanto aos avanços, acredito que a inclusão escolar que ocorre desde 1995 aconteceu porque houve uma política deliberada, o que é interessante, mas isso não resolveu os problemas anteriores. Da mesma forma, foi positiva, na minha opinião, a adoção do sistema de progressão continuada. É um sistema conceitualmente bom, mas a implantação não foi bem preparada. E, nesse caso, se não há um bom acompanhamento, um reforço individual, o desempenho ruim de algum aluno pode só aparecer ao final de um ciclo de quatro anos.



 





Em sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?





Acredito que o principal desafio seja fazer com que a educação de qualidade seja assumida pela sociedade como uma absoluta necessidade. A sociedade como um todo tem de passar a achar que não é mesmo possível aceitar que não haja educação para todos ou uma educação de baixa qualidade. De acordo com Sílvia de Carvalho, do Instituto Avisa Lá, 59% das crianças chegam à 4ª série sem saber ler e escrever. Ela costuma dizer que, se 59% dos prédios de uma cidade caíssem, certamente tomariam providências rapidamente. Mas com a educação, infelizmente, não acontece o mesmo.




E, para que esse grande desafio seja alcançado, existem várias outras necessidades no decorrer do caminho, como o envolvimento da família e do Estado, de fato, a necessidade de que os recursos sejam aplicados de forma eficiente, de que as Associações de Pais e Mestres tenham um papel de fato, e não apenas nominal, em alguns casos, entre tantos outros aspectos a serem apontados.



 





Quais foram os retornos que a Fundação Telefônica já obteve investindo em educação?





A Fundação Telefônica busca principalmente retorno em termos da melhoria da qualidade da educação no país. Nosso principal investimento é pelo uso pedagógico das tecnologias da informação, por meio do nosso programa
EducaRede

(





www.educarede.org.br





).




É difícil medir o efeito só do portal nessa melhoria, porque muitas coisas acontecem ao mesmo tempo em uma escola. Mas temos indicadores positivos, como o número crescente do uso – em maio deste ano, registramos 2,2 milhões – de
pageviews

, o uso predominante de escolas públicas (80%), para quem o portal foi prioritariamente pensado, mas também de escolas privadas, e os depoimentos de usuários e testemunhos em relação a situações em que o uso do portal provocou mudança substancial no comportamento dos alunos, no envolvimento deles com determinada matéria ou mesmo com a escola como um todo e, por fim, na melhoria da aprendizagem.




É por isso que a Telefônica, por meio da Fundação Telefônica, se propõe a fazer investimentos a longo prazo, para poder oferecer transformação social, de forma sustentável, na sociedade.



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