Sem vergonha

Apresentadora da MTV cria polêmica ao usar gírias e linguagem informal para falar sobre sexo com jovens e adolescentes

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Penélope Nova, apresentadora da MTV Brasil, fala sobre sexo a milhares de jovens como se conversasse com os amigos em um boteco. Em seu programa
Ponto Pê

, que vai ao ar em rede aberta, três vezes por semana, ela ouve medos e anseios, tira dúvidas e dá sua opinião. Não como uma especialista, mas como uma pessoa com quem se “troca uma idéia”.




Enquanto pais e professores ainda se constrangem ao falar sobre sexo com filhos e alunos, Penélope conversa com seu público usando gírias e expressões comuns, às vezes vulgares. Os e-mails dos telespectadores são selecionados pela produção, que exclui dúvidas técnicas e prioriza as de caráter comportamental. Penélope não sabe antecipadamente o que será perguntado. Tem de tudo, da menina com medo de sentir dor até o fetichista que adora salto alto e cinta-liga.




Nem sempre são dúvidas, muitos telespectadores querem mesmo é dividir sentimentos. O jeito desbocado de Penélope chamou atenção do Ministério da Saúde. Convidada a apresentar um programa de rádio sobre sexualidade, como parte da campanha
Qual é a Sua?

, ela entrevistou pais, alunos, professores e especialistas, discutiu homossexualidade, bissexualidade e relacionamentos. Há também curiosidades e dicas sobre o uso de contraceptivos. Um CD com a gravação desse programa é distribuído pelo Ministério da Saúde junto com uma camisinha e uma camiseta da campanha.




“Não, eu não me considero uma educadora, acho que seria pretensão da minha parte”, pondera Penélope. Ela acredita que a proximidade com os jovens lhe dá vantagem na hora de falar sobre sexo. “Minha opinião é mais questionável. Não é clínico o meu diagnóstico, mas ele é mais humano”, define a baiana de 31 anos, nascida em Salvador. O formato do
Ponto Pê

é bem diferente do adotado pelo extinto
Erótica

, também da MTV. Desse último participava o psiquiatra Jairo Bauer e, após quatro anos no ar, o programa já havia “cumprido seu papel de lançar tendências”, segundo a própria Penélope.




“Não nego que parte do meu trabalho acaba tendo essa função”, admite Penélope quando questionada sobre a responsabilidade educativa embutida no conceito do programa. “A coisa não é tão simplista. Espero que as pessoas reajam ao que assistem. Acho que criança tem julgamento, adolescente também, jovem também”, rebate. O sucesso do programa – a emissora não divulga números, mas afirma que “vai bem” em termos de audiência – está intimamente ligado à despretensão, na opinião da apresentadora.




Na adolescência, Penélope não achou um bom negócio seguir padrões. “Terminei o terceiro colegial, cansei de ler o
Guia do Estudante

. Não havia nada dentro dele com que eu realmente me identificasse”, comenta, para preocupação do pai, o músico Marcelo Nova, com quem ela morou em São Paulo (SP).




Penélope foi vendedora em shopping, depois, trabalhou em gravadoras, onde abriu os horizontes para sua atividade atual. Criada pelos avós maternos, na adolescência, teve uma relação conturbada com o pai. A mãe, Marla Cotrim, e a avó, Dona Helia, foram as confidentes de sua primeira relação sexual. “Liguei pra minha mãe na mesma hora”, diverte-se.


Entre suas últimas leituras estão Dostoievski, Goethe e João Ubaldo Ribeiro. Entre as mais freqüentes está
O Livro do Pênis

(Conrad, 224 págs., R$ 29), que, além de aspectos fisiológicos e sentimentais, discute a questão fálica na sociedade. Não que Penélope seja feminista. Também não se trata de leitura prévia para o programa. “Tenho um interesse genuíno pelo assunto, assim como por rock e chocolate.” (CC e FC)


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