Seb anuncia parceria com Maple Bear; Escola da Vila é vendida a investidores

Grupo Seb assume o controle da empresa canadense Maple Bear no Brasil e na América do Sul; na mesma semana, Bahema, holding de participação em empresas, comprou 80% da tradicional Escola da Vila

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Thamila Zaher, do Grupo SEB, em apresentação sobre parceria com a Maple Bear | © Denise Andrade/Divulgação

Thamila Zaher, do Grupo SEB, em apresentação sobre parceria com a Maple Bear | © Denise Andrade/Divulgação

Enquanto na esfera pública a reforma do ensino médio continuou a ser o centro das atenções, um agitado panorama de fusões e aquisições movimentou o setor privado no mês de fevereiro. Numa mesma semana foram anunciadas a parceria do Grupo SEB com a canadense Maple Bear e a aquisição, por parte da Bahema (holding de participações em empresas), de 80% da tradicional Escola da Vila, em São Paulo, e de 5% da Escola Parque, no Rio de Janeiro, ambas voltadas à classe média alta.

No caso da parceria entre SEB e Maple Bear, a decisão atende ao desejo mútuo de expansão na América do Sul. A SEB terá participação de 95% da associação, ficando responsável pela expansão. Hoje, há 85 unidades da Maple Bear operando no Brasil, totalizando 15 mil alunos. O grupo opera aqui há 10 anos e está presente em 13 países, com mais de 200 escolas. O valor da compra da participação da SEB não foi revelado.

O faturamento anual da Maple Bear é estimado em R$ 350 milhões. O Grupo SEB planeja investir, no total, R$ 400 milhões no triênio 2016-2018, quando deverá lançar sua nova bandeira de escolas, a Concept, hoje presente em Ribeirão Preto (SP) e Salvador (BA), nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e no Vale do Silício.

Segundo a diretora executiva do grupo, Thamila Zaher, o plano de expansão da Maple Bear para a América do Sul ainda não está pronto. Indagada sobre países-alvo, anuiu que Argentina (onde há forte migração de alunos da escola pública para a privada), Colômbia e Peru têm bom potencial. Já o Chile é visto como um mercado mais difícil pelo fato de ter uma boa educação pública.

A notícia da Bahema surpreendeu o mercado. O grupo baiano, que originalmente vendia máquinas para o setor agrícola, passou a investir em participações em empresas nos anos 80 para dar vazão ao capital acumulado. Em 2016, o conselho de administração, segundo informações do site da empresa, identificou uma oportunidade estratégica na educação básica.

No dia 14 de fevereiro, anunciou o investimento de R$ 42,2 milhões, sendo R$ 34,5 milhões na aquisição dos 80% de participação na Escola da Vila. Desse total, R$ 10,1 mi estão atrelados a número de matrículas, valor médio de mensalidades e cumprimento de metas de transição, informou o jornal Valor Econômico. Juntas, as duas escolas somam 5,3 mil alunos.
Fundada nos anos 80, a Escola da Vila tem hoje três unidades, com classes em todas as etapas da educação básica. Tem, também, um centro de formação de professores com oferta de cursos presenciais e semipresenciais, baseado em sua pedagogia construtivista, para onde vão educadores de várias escolas.

Até então, a escola dizia acompanhar os movimentos de mercado, mas não se interessar pelo aporte financeiro de terceiros. Contatada no ano passado para reportagem sobre o futuro do mercado (Educação 236, janeiro/fevereiro de 2017), a diretora pedagógica Sonia Barreira, preferiu não conceder entrevistas. Provavelmente, para não levantar a lebre sobre a venda que já devia estar sendo encaminhada.

Leia mais: Setor de educação básica entra no radar dos investidores

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