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Importantes na divulgação de artigos, revistas científicas colocam em evidência o pesquisador e as instituições que as editam

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O aumento da produção científica tirou o Brasil da 24ª posição do ranking mundial e o colocou em 13º lugar. De acordo com o último levantamento da Thomson Reuters, empresa que detém uma das maiores bases de dados no mundo sobre trabalhos científicos, em 20 anos – de 1993 a 2013 – o país passou à frente de Holanda, Rússia e Suíça. A clínica médica foi uma das áreas mais produtivas. No período 2003-2007, o Brasil tinha 14.324 artigos nesse campo do conhecimento. Na temporada 2008-2012, foram 34.957, um salto de 144%.

Apesar de a divulgação informal da ciência (congressos, palestras e visitas) permitir uma rápida veiculação da informação científica recente, é a comunicação formal, ou seja, a publicação editorial, que dá credibilidade para que a pesquisa seja aceita como suporte para outros trabalhos. Robert Day, autor de Como escrever e publicar um artigo científico (The Oryx Press, 1998), costuma comparar a importância da publicação de uma pesquisa à repercussão, numa floresta, da queda natural de uma árvore. Para ele, a queda da árvore passará despercebida a menos que alguém ouça o barulho provocado por ela. Para Day, se um trabalho científico não for lido, conhecido, será apenas mais uma árvore caindo silenciosamente.

“A edição de um texto em uma revista é muito valorizada por ser um dos principais meios de exposição da pesquisa. A publicação de um artigo é muito mais dinâmica do que a de um livro”, diz Aparecida Darcy Delfim, coordenadora pedagógica da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste).

Canal de difusão

As revistas científicas constituem, hoje, o principal canal formal de disseminação da ciência e de certificação da autoria das descobertas tecnológicas. Trazem prestígio e reconhecimento a seus autores, instituições de ensino, editores, avaliadores e são imprescindíveis na definição e legitimação de novos campos do conhecimento, como destaca Maria Piedade Ribeiro Leite, editora administrativa da Revista Médica de Minas Gerais, criada em 1991 para irradiar e fomentar ideias, experimentação e aferição de tecnologias.

Editadas periodicamente, essas publicações podem ser produzidas por sociedades científicas, órgãos de classe e também por instituições de ensino superior. Nesse caso, atuam como o principal meio de veiculação da produção de discentes e docentes, de acordo com Maria Ogécia Drigo, responsável pelas publicações da Universidade de Sorocaba (Uniso). Atualmente, são cinco: a Avaliação e a Quaestio, vinculadas ao programa de pós-graduação em educação, a Tríade, do curso de pós-graduação em comunicação e cultura, a Ecos, da área de ciências econômicas, e a Revista de Estudos Universitários (REU), de caráter interdisciplinar, que contempla todos os programas da instituição. “Elas são inerentes e vitais no processo de construção de conhecimento. À medida que há geração de cultura, há também a necessidade da sua divulgação, da sua socialização”, afirma.

Compromisso com o saber

Marcos da Cunha Lopes Virmond, coordenador das revistas científicas da Universidade do Sagrado Coração, afirma que uma instituição que gera conhecimento deve, por obrigação, divulgar a ciência que produz. “É próprio da universidade produzir conhecimento; nada mais justo do que compartilhá-lo. Sendo assim, é primordial que ela banque um periódico, pelo menos nas grandes áreas em que melhor qualifica”, justifica Virmond.

A criação de uma publicação do gênero também contribui para as IES se estabelecerem no cenário acadêmico como centros produtores do desenvolvimento científico e tecnológico. Segundo José Carlos Imparato, reitor da Universidade Camilo Castelo Branco (UniCastelo), a existência de uma revista em uma instituição de ensino também demonstra a valorização que a entidade dá para a pesquisa, a atualização constante, as novas tecnologias e o aprimoramento do corpo docente. Mas, para que essas características sejam percebidas, o título deve ter, primordialmente, qualidade. “Problemas de ordem operacional ou estrutural, dificuldades de captação de conteúdo e mudanças políticas mal administradas no interior das organizações científicas podem minar a expectativa de vida de um periódico”, alerta Paulo Roberto Brofman, presidente da Fundação Araucária de Apoio do Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná.

Em tese, para se obter um grau de excelência e qualidade com uma publicação científica seria necessário publicar artigos de conteúdos expressivos para a comunidade e para a sociedade, de pesquisadores eminentes em suas áreas, originais e que passassem por um processo de avaliação rigoroso, mas não moroso. A edição também deve cumprir à risca a periodicidade anunciada. Ana Paula Noronha, do programa de pós-graduação em psicologia da Universidade São Francisco e editora da revista Psico-USF, acrescenta a importância das competências em editoração. “É necessário saber procedimentos de gestão e de políticas editoriais no Brasil e no exterior. Montar uma equipe habilitada e que esteja disposta a trabalhar é muito importante”, reforça.

Na prática, porém, a qualidade dos periódicos não é facilmente mensurada, mesmo porque eles são avaliados por diferentes propósitos: indexação por base de dados, financiamento da publicação, desenvolvimento de coleções, mensuração da produção ou impacto do conteúdo, podendo ser adotados critérios e metodologias diversos abrangendo os aspectos intrínsecos ou não da impressão, passando do conteúdo à forma de apresentação.
 
Estímulo à produção

Mas de nada vale todo esse empenho sem a produção propriamente dita de conhecimento. As regras para a publicação constituem um dos entraves ao aumento da produção por parte dos estudantes, embora muitos se interessem pela prática. Na opinião de Edson Roberto Berbel, coordenador de editoração institucional da Universidade de Guarulhos, que atualmente publica seis revistas nas áreas de saúde, educação, geociências, gestão, ciências jurídicas e computação, é preciso sensibilizar os alunos para a prática do texto acadêmico de modo que eles percebam a utilidade dessa produção para seu desenvolvimento acadêmico e profissional.

Já Marcos Tadeu, coordenador dos cursos de mestrado de ecologia e de engenharia mecânica da Universidade Santa Cecília (Unisanta), acredita que as IES devem estimular seus alunos de graduação a redigir artigos desde o início do curso. “A disciplina metodologia científica, que normalmente é ministrada nos últimos semestres da graduação, deveria ser oferecida logo nos primeiros semestres, possibilitando assim que os estudantes se capacitassem mais rapidamente para produzir um texto científico”, avalia. Medidas como essas poderiam contribuir para incrementar a produção, alavancar as publicações em termos quantitativos e qualitativos e, consequentemente, valorizar as instituições de ensino no meio acadêmico e também fora dele.

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