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Como as redes de MG e RS aumentaram o número de crianças alfabetizadas

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Se existe um consenso na educação brasileira, é em torno da necessidade de melhorar (e muito) a alfabetização das crianças, pois, sem isso, não haverá avanços na aprendizagem. O problema existe em todo o país, mas as soluções variam conforme a realidade local. É o que demonstram os casos de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, onde as secretarias estaduais de Educação estão priorizando o enfrentamento desse problema.

Nos dois estados,  o ponto de partida para as ações foram resultados de avaliações. Ambos realizam provas de desempenho há vários anos, além de contarem com os dados fornecidos pela Prova Brasil e o Saeb. Em Minas, os resultados mostravam que havia um grupo de escolas onde "o problema estava instalado".  "As estratégias que davam certo na maior parte da rede não mudavam a prática dessas escolas", conta a secretária estadual de Educação, Vanessa Guimarães Pinto. Por isso, em 2007, foi implantado um programa específico para atender as escolas de 12 regiões mais críticas, o Plano de Intervenção Pedagógica (PIP).  Atualmente, o PIP está presente em todo o estado, pois as outras escolas começaram a aderir à iniciativa.

"Com base nos resultados foi feito um diagnóstico e elaborado um plano específico para cada escola, estabelecendo-se estratégias para melhorar a aprendizagem dos alunos e metas", diz a secretária. Os planos são elaborados em conjunto por professores, diretores e especialistas, além de serem apresentados e discutidos com os pais. O acompanhamento é feito por técnicos das superintendências regionais de ensino – cada dupla de técnicos presta assessoria a oito escolas. A avaliação da secretária é positiva, pois a meta de 2011 – todas as crianças com 8 anos dominando a escrita e a leitura – já foi praticamente atingida. "A chave do sucesso é a mobilização. Não basta recursos técnicos e financeiros", afirma Vanessa.

No Rio Grande do Sul, cuja meta perseguida desde 2007 é a mesma da de Minas, a estratégia foi outra. O ponto de partida foi o mau desempenho dos alunos de 4.ª série em língua portuguesa no Saeb, explica Milton Pereira, diretor Pedagógico da Secretaria de Estado da Educação. Diante da situação, a secretaria de Educação foi buscar o apoio financeiro da iniciativa privada para implantar um programa que fortalecesse a aprendizagem das crianças e melhorar a formação do professor. Seis grandes empresas aderiram, mas a secretaria de Educação também investiu recursos próprios. Assim, logo firmou convênio com três instituições para ofertar três tipos distintos de métodos de alfabetização às escolas. "As escolas tiveram liberdade para escolher. A condição foi que cada uma escolhesse apenas um método e melhorassem seus indicadores", diz Pereira. Para subsidiar o acompanhamento, são realizadas duas avaliações por ano, uma no início e outra no fim do ano letivo.

Quase quatro anos depois,  o resultado é considerado "muito bom": "88% dos nossos alunos de 8 anos estão alfabetizados", afirma o diretor pedagógico, com base nos resultados das avaliações. Para ele, o sucesso pode ser atribuído ao que ele chama de "estruturação". "Constatamos que o método adotado não importa tanto. O que faz a diferença é consistência, seguir uma mesma linha com começo, meio e fim." 

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