Regina Ivamoto

supervisora pedagógica do Instituto Qualidade no Ensino

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?





Entre as várias conquistas da década de 90 em relação à educação no Brasil está com certeza a universalização do acesso à educação obrigatória. Segundo dados do governo brasileiro, em 2001 tínhamos 36 milhões de crianças na escola fundamental, 11% a mais do que em 1994; 1,85 milhão concluindo o ensino médio, mais do que o dobro do número de concluintes em 1994.






A expansão das vagas e da rede de escolas públicas não veio, no entanto, acompanhada da qualidade no ensino e na aprendizagem. As causas para a perda da qualidade da educação são de várias ordens:





– a desvalorização da profissão docente que se expressa pelos baixos salários; pela falta de planos de carreira; pela ausência de uma jornada de trabalho que permita conciliar docência em sala de aula, estudo, reflexão, discussão em grupos de estudo, formação de equipe, acompanhamento e avaliação da prática pedagógica;





– a formação precária do professor no curso de habilitação ao magistério (ensino médio) e nas licenciaturas de nível superior;






– a chegada à escola de uma população diferente daquela que freqüentava a escola até a década de 70;






– as novas demandas em termos de domínio de habilidades e de competências;






– as novas exigências de organização de espaços, de tempos, de conteúdos escolares.






 






Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?






Os desafios para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país são:






– priorização política da educação básica;





– investimentos públicos adequados;






– valorização dos educadores em termos de remuneração e de jornada de trabalho;






– investimentos na formação primeira e na formação continuada dos educadores.






 







Qual é o papel do Terceiro Setor na educação hoje?







É considerada também conquista da década de 90 o fortalecimento do Terceiro Setor, com atuação na área educacional






[1]






. Esse fato é significativo na medida em que revela a conscientização e a mobilização da sociedade pelo desenvolvimento da educação.






Considero, no entanto, que hoje estamos diante do desafio de alinhar e aglutinar os esforços do Terceiro Setor para atender às demandas prioritárias, em face de um diagnóstico sério, objetivo, que se deve fazer da atuação educacional em cada região do Brasil. Se isso não for feito cuidadosamente, corre-se o risco de se diluírem esforços e recursos sem atingir resultados esperados.





 






Da forma como a educação está sendo administrada atualmente, como você vê a área daqui a dez anos?






Há hoje consciência da sociedade em relação ao desafio de se qualificar o ensino e a aprendizagem. Há esforços esparsos na administração pública para reverter essa situação. Considero-os, porém, tímidos e pouco eficazes. Falta articulação entre as ações dos três níveis: federal, estadual, municipal.






Há hoje implantados sistemas de avaliação nos três níveis, mas não se vêem ações concretas a partir das análises dos resultados e de seu significado pedagógico. Ao contrário, o que se observa é a tendência a justificar tais resultados ou relativizá-los.





A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – n
o

9394/1996 trouxe possibilidades de organização que não se implantaram efetivamente ou, em outras palavras, se distorceram numa precária implantação. Dois exemplos disso: a participação da comunidade, particularmente das famílias, por meio do Conselho Escolar, na construção, no acompanhamento e na avaliação do Projeto Educacional da escola. De um modo geral, os Conselhos não exercem plenamente suas funções. A Progressão Continuada como possibilidade de organização do ensino fundamental não foi compreendida e, portanto, não foi aplicada adequadamente.






As perspectivas para os próximos dez anos são de que não haverá reversão dos dados que atestam a pouca qualidade de aprendizagem se não for estabelecido um esforço conjunto dos vários segmentos da sociedade para ações que corrijam as distorções do sistema educacional, a partir do diagnóstico, do estabelecimento de metas, do acompanhamento, da revisão e da avaliação.





 













[1]






Ver Relatório EFA – 9 Programa Educação para Todos Indicadores da Educação no Brasil. Recife fevereiro 2000




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