Reflexões e abordagens na licenciatura em letras

ENSAIO | Edição 205 A formação de professores mais críticos e reflexivos pode ajudar no reconhecimento da sociedade acerca do real valor do professor …

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ENSAIO | Edição 205

A formação de professores mais críticos e reflexivos pode ajudar no reconhecimento da sociedade acerca do real valor do professor

por Simone Viana

Provocar reflexões sobre o trabalho docente e, em especial, sobre a prática docente no ensino superior em letras ou em qualquer curso específico é desafiador. Vivemos em tempos de crise ética, ambiental e econômica, mas também em tempos de avanços como, por exemplo, no campo das tecnologias e das ciências de forma geral. São contextos plurais que precisam ser problematizados, buscando identificar quais são seus impactos no pensar, conceber e viver as práticas educativas nos espaços de ensino e aprendizagem da universidade.

Enquanto educadores, somos exigidos pela própria realidade a conhecer novas metodologias e a utilizar equipamentos e recursos midiáticos. Vivemos o avanço tecnológico, fazemos parte dele. Assim, o cenário universitário torna-se o lugar propício à utilização, ao conhecimento e à crítica acerca de todo esse processo. As habilidades e competências exigidas do profissional docente requerem uma preparação acadêmica tanto na área específica do conhecimento quanto no campo da cognição das teorias de aprendizagem e das atuais linguagens.

Atualmente, a docência universitária em letras vive muitos desafios. O cotidiano da sala de aula é sempre instável e exige do professor a reinterpretação de cada situação problemática em decorrência do confronto desta com outra experiência vivida.

As condições de ensino mudam dia a dia; o licenciado deverá se formar para atender aos desafios atuais, ao mercado consumidor, o qual exige praticidade e dinamismo. Para fazer jus a esse desafio, a universidade precisa criar condições para que o aluno ou licenciado crie novas possibilidades na construção de saberes, aliando teoria e prática, buscando práticas dialógicas em que a palavra do outro, no caso, do aluno, passe a ser constituinte também de um discurso sobre matéria de ciência ou técnica ou arte, de conhecimento.

É importante propiciarmos aulas críticas, dialógicas, interativas, enfim, oferecer um ensino reflexivo e relevante para o cenário atual, um exercício do aprender a aprender; aprender a ser; aprender a conviver e aprender a fazer. É importante, nesse contexto, insistir na relação de vínculos entre professores e alunos como algo fundamental no processo educativo. Ensinar e aprender privilegiando a questão do sujeito. Seja ele educador, seja ele aluno, será sempre sujeito responsável por aprender, por ser, por conviver e por fazer; sujeitos, ativos e participantes da construção dos saberes e da contínua reconstrução social, ser verdadeiramente cidadão antes mesmo de ser um profissional.

A educação humanista é a grande responsável pela formação do cidadão comprometido com o outro e empenhado em atuar positivamente na sociedade. O processo de ensino e aprendizagem precisa habilitar os alunos para uma releitura do mundo.

Os profissionais da educação devem adaptar-se às novas formas de aprendizagem e reavaliar as estratégias pedagógicas em uso, as capacidades esperadas de seus alunos, bem como o papel que exercem frente às metodologias de ensino. A pesquisa e a extensão na docência implicam compreender a importância do papel da docência, propiciando uma profundidade científico-pedagógica que os capacite a enfrentar questões fundamentais e desafiadoras na atualidade, como  ser sujeito de sua ação profissional que, a partir de um processo cooperativo de estudo e análise compartilhada da prática docente, pautada em referenciais teóricos e experiências profissionais, aprenda a fazer críticas e enfrente as próprias limitações, articulando múltiplos saberes que se manifestam na ação docente.

Precisa-se ressaltar a pluralidade e a interdisciplinaridade, associando os saberes científicos e as relações com os demais, com o ambiente, valorizando a diversidade cultural, proporcionando a conexão do currículo escolar com as novas tendências da sociedade. A formação de professores mais críticos e reflexivos pode ajudar no reconhecimento da sociedade sobre o real valor do professor.

O desafio consiste em construir novas organizações curriculares voltadas para concepções de aprendizagens como um conjunto de práticas e significados inter-relacionais e contextualizados, além de novas abordagens, conteúdos e currículos para o ensino superior em letras e em outras licenciaturas. Mais do que isso, a sociedade precisa reconhecer que o educador é indispensável no processo educacional, mesmo no mundo contemporâneo, em que ele não é mais a única fonte de informação.

Nesse sentido, a educação brasileira na esfera do ensino superior deve propiciar a formação de profissionais pensantes, reflexivos, capazes de atuar no mundo com criticidade e possibilidade de transformar o mundo e sua própria existência.

 

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