Quem foi Noel Rosa

Livro de ficção infantojuvenil resgata a vida e a obra do sambista que, do céu, teria decidido escrever suas memórias e se apresentar às novas gerações

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Ilustração de Gustavo Duarte para o livro Memórias póstumas de Noel Rosa

A escritora Luciana Sandroni já recontou a história de várias personalidades da cultura brasileira, entre elas Monteiro Lobato, Mário de Andrade e Machado de Assis. E para cada uma delas, utilizou uma estratégia diferente para compor as biografias. Em Minhas memórias de Lobato, que venceu o Prêmio Jabuti em 1998, a vida do escritor é narrada a partir das recordações de Emília e de seu ajudante, o Visconde de Sabugosa, enquanto em Joaquim e Maria e a estátua de Machado de Assis, quem desenrola os acontecimentos é a estátua do escritor, presente no pátio da Academia Brasileira de Letras.

Desta vez, o personagem central de sua mais recente obra é Noel Rosa que, na trama, decide escrever uma autobiografia, as Memórias póstumas de Noel Rosa, para se apresentar às novas gerações. A ideia nasce de uma conversa no céu com São Pedro, que lhe revela que suas músicas não tocam mais nas rádios e que raros são os jovens que hoje o conhecem. Indignado, Noel dá início à empreitada, que se desenvolve nas páginas seguintes depois de vencida a resistência do santo. “Não me leve a mal, mas a sua vida não é um exemplo para os jovens”, pondera São Pedro, que depois de ceder, assume a posição de editor das tais memórias.

O músico descreve os fatos mais marcantes de sua vida, começando pelo seu nascimento, na Vila Isabel, marcado pelas complicações no parto que resultaram em deformações no lado direito de seu rosto e no queixo. Noel também relembra as festas na casa da família, onde se ouvia de Chopin a Chiquinha Gonzaga, e as primeiras composições. Aqui, ficamos sabendo que o que começou com uma brincadeira de criança, com o jovem Noel inventando letras para o Hino Nacional, se desenvolveu de forma notável. Já na gravação do primeiro samba, Com que roupa? (1931), o compositor ganhou enorme prestígio e atraiu para si importantes parceiros. A música marcou não só o carnaval do Rio de Janeiro, mas de todo o Brasil, e vendeu mais de 15 mil discos numa época em que poucas pessoas possuíam toca-discos em casa.

O livro também revela detalhes da vida pessoal do sambista, bastante caótica e pontuada por vários relacionamentos amorosos – muitos deles simultâneos -, e culmina com a descoberta da tuberculose, doença que levou Noel aos 26 anos. Além da biografia, a obra traz algumas partituras, selecionadas e introduzidas por Maria Clara Barbosa, que explica como tocar e cantar Noel Rosa nos dias de hoje, considerando as particularidades de suas composições e o swing da época.

 

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