Qualidade sim. Mas para todos

A escola só avança quando todos aprendem. Como educadores, essa é a nossa missão

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Ilustração: Evandro Luiz da Silva

O Brasil vive hoje o grande desafio de oferecer mais qualidade de ensino. Ao contrário do que muitos pensam, este não é um desafio apenas da rede pública. As escolas particulares também vivem o mesmo processo, ainda que muitas vezes motivadas pela pressão da opinião pública, com a divulgação dos rankings do Enem, e pelo gargalo cada vez mais estreito do acesso ao ensino superior.

Evidentementemente, ninguém poderia ser contra um ensino com standards mais altos de excelência acadêmica. Mas é preciso cuidado. A elevação da qualidade acadêmica não pode ocorrer em prejuízo de uma concepção mais ampla do papel da escola e do ensino médio, que envolve aspectos como a formação de valores, vivências culturais e artísticas, desenvolvimento psicossocial.

Ainda há outro risco nessa corrida por posições: não podemos confundir a excelência acadêmica com a formação de campeões do Enem e dos vestibulares.

Nossas salas de aula ainda se dividem entre a turma do fundão e os que sempre se dão bem nas avaliações e são pejorativamente chamados de nerds. As experiências internacionais consagradas, como a finlandesa, mostram que a qualidade se alcança quando todos avançam, ou seja, quando se cria uma comunidade de aprendizagem.

Mas uma tradição historicamente pouco inclusiva ainda resiste nas escolas. A taxa de reprovação na 1a série do ensino médio público chega a 18% . Na rede privada, a média de reprovados nesta série chega a 10%. Nada justifica esse estado de coisas a não ser uma cultura pedagógica adequada para quem vai bem e ineficiente para quem vai mal. Não se culpem os professores: a comunidade escolar como um todo convive com o fracasso escolar como sinal de incompetência do aluno, de quem se desiste com facilidade.

Para vencer o desafio da qualidade de ensino, precisamos fazer mais do que exigir desempenho dos alunos, aumentar a carga de estudos e apertar as avaliações. Temos de introjetar a ideia de que a escola só avança quando todos aprendem – e assumir que, como bons educadores, fazer todos aprenderem é nossa missão.

*Claudia Fadel é diretora da Escola Sesc de Ensino Médio e doutoranda em Educação na Columbia University, em Nova York.

Especial aniversário – o leitor na revista

Para comemorar seus 17 anos, Educação convidou seus leitores para escrever na revista. Aqui  estão publicadas as opiniões de um professor, uma diretora de escola, um pesquisador e uma aluna de pedagogia sobre o que consideram os maiores desafios em suas áreas.

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