Prova Brasil, um grande avanço

Mecanismo permitirá saber o desempenho de cada escola em relação à média

Compartilhe
, / 811 0


Devo registrar o que me parece um significativo progresso implantado pelo MEC, a Prova Brasil, que examinará bienalmente alunos de 4ª e 8ª séries do ensino fundamental (EF) e 3ª série do ensino médio (EM). Diferentemente do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), que agora passa a se chamar Avaliação Nacional da Educação Básica (ANEB), o Prova Brasil não será feito por amostragem, mas aplicado a todos os alunos de escolas urbanas.

É difícil fazer a sociedade entender que a educação brasileira vai pessimamente mal. Chegamos ao que se chama de
low level equilibrium

(equilíbrio baixo nível, com trocadilho). Os ricos colocam os filhos nas escolas privadas e se despreocupam com as  públicas. Nas públicas, alunos de poucos anos de idade não têm condições de avaliar a qualidade da educação nem muito menos reivindicar melhorias.

Os diretores não têm incentivo em peitar professores ou autoridades na busca por melhorias. Os maus professores não querem a mudança do
status quo

, e culpam desde o FMI à malevolência do ser humano pelo fracasso de seus alunos. Mais freqüentemente, culpam os próprios alunos e seus pais. Os bons professores fazem o que podem, mas se sentem impotentes para mudar o sistema e caem na acomodação do espírito de corpo, protegendo a categoria.

Os governantes não se preocupam com a qualidade da educação, porque não dá voto – o que dá voto é construir escola, dar merenda e uniformes etc. -, e a má qualidade não tira voto, porque ninguém reclama. Quem deveria reclamar, e muito, são os pais. Só que a maioria dos pais dos alunos de escolas públicas é semiletrada, em média com apenas alguns anos de ensino formal. Está, assim, despreparada para avaliar a qualidade do sistema educacional do filho. Está apenas feliz por ele estar na escola e imagina que, apenas por estar lá, vai aprender e ascender na vida.

Para romper esse estado de coisas, eu e muitos outros defendemos há tempo a criação de exame em que a amostra não fosse estadual, mas pelo menos municipal ou escolar. Sendo individual, obrigatória a todos os alunos, melhor ainda. Teremos um mecanismo que permite saber, facilmente, se o desempenho da escola do filho está abaixo ou acima das médias regional e nacional. Dá à população pobre a condição de exigir um ensino melhor, e faz com que os dirigentes saibam que poderão ser premiados e punidos de acordo com os resultados.

Vamos certamente conhecer escolas em zonas pobres que alfabetizam 100% de seus alunos na 1ª série, aquelas que têm baixa taxa de repetência com alta performance, e a partir daí podemos usar esses exemplos de sucesso para escolas de todo o país. Para que isso aconteça, é necessário que o MEC vença a pressão dos sindicatos de professores e instituições de classe e torne públicos os resultados de todas as escolas. Talvez esse governo, com suas vinculações sindicalistas, não o faça, mas não importa: uma vez feito o exame e disponíveis os resultados, é só uma questão de tempo até que os interesses coletivos se sobreponham às veleidades corporativistas e que a sociedade tenha em mãos esse precioso instrumento para mudar o país. É um direito que nos pertence.



Gustavo Ioschpe é mestre em desenvolvimento econômico com especialização em economia da educação

E-mail:



desembucha@uol.com.br




Comentários

comentários

PASSWORD RESET

LOG IN