Profissionalização de adolescentes

ONG integra meninas da periferia com escola, família e comunidade

Compartilhe
, / 838 0









Carmen Guerreiro



 


Seis meninas nos fundos de um posto de saúde na periferia de Campinas. Foi assim que, há 24 anos, começou o Grupo Primavera (GP), ONG que realiza um trabalho de educação complementar com garotas do bairro Jardim São Marcos. Os programas do grupo têm como foco o empreendedorismo e a integração das alunas com as escolas em que estudam, a comunidade e a família.


 


Fundadora da organização, a chinesa Jane Chiang Sieh define o trabalho como um “resgate dos valores básicos de ética e moral para a formação de uma mulher mais digna como profissional e cidadã”. Formada em sociologia pela universidade norte-americana Bryn Mawr College, Jane justifica a restrição do atendimento somente a meninas alegando que a sociedade brasileira é muito machista. “A educação das mulheres é importante para equilibrar uma sociedade que até então está pendente para o lado dos homens,” diz ela. “As meninas atendidas pelo grupo são de uma faixa geralmente excluída por serem mulheres, pobres e de cor”. Apenas o programa
Pacto (Preparando Adolescentes para Colégios Técnicos)

aceita meninos na sala de aula.










 Divulgação







 Jane Chiang Sieh, fundadora

do Grupo Primavera





O principal pré-requisito para entrar no Grupo Primavera é estar matriculado na escola. As alunas, de 11 a 17 anos, aprendem a ter, durante os quatro anos de curso na ONG, disciplina, comprometimento e dedicação. Por isso, se destacam na escola como monitoras nas bibliotecas, na ajuda de alunos com pesquisas e no auxílio dos professores na sala de aula. De acordo com Maria Arlete Lima da Silva, 57 anos, diretora da escola Estadual Professora Castinauta B.M. Albuquerque, do Jardim São Marcos, a postura das meninas que freqüentam o grupo muda, e elas chegam para as aulas mais interessadas. “O Grupo Primavera prepara o aluno para a vida e para o mercado de trabalho”, diz Arlete

.



 


O papel ativo das alunas do GP se estende também para trabalhos na comunidade, como agentes de saúde, com a participação em associações de bairro e de igrejas, e com o trabalho de reciclagem de lixo e conscientização da população. “Hoje tenho uma boa base para passar para meus filhos,” afirma Joseane Brito, 29 anos, gerente de produção do GP. Jose, como prefere ser chamada, terminou o curso na ONG em 1993, quando tinha 11 anos, e trabalha lá desde 1996. Ficou sabendo do grupo pelos comentários na escola e na igreja, e decidiu se associar. Ela acrescentou que o GP a ajudou nos estudos e na iniciação ao mundo do trabalho. “O grupo nos ajuda a ter mais segurança para tomar o caminho certo,” assegura. “Muita coisa vem de berço, mas aqui temos a oportunidade de crescer”.


 


Há 25 anos, conta Jane, o carro-chefe da organização era o artesanato. Hoje, entre os principais programas figuram o Empreendedorismo em Rede, Pacto – Preparando Adolescentes para Colégios Técnicos, Família Presente, Recicla Escola – Transformar Resíduos em Recursos, Empreendedorismo Fazendo Diferença, Jovens Empreendedores no Mundo do Trabalho, Abraço Educativo e Música na Escola.


 



O projeto Empreendedorismo em Rede, por exemplo, visa integrar pais, alunos e escola com o GP. A parceria é feita com a escola estadual Castinauta, e são 2,9 mil pessoas beneficiadas durante o ano letivo. A instituição de ensino já ganhou uma quadra poliesportiva, um laboratório de informática, uma biblioteca, uma sala de vídeo e aulas de artesanato. Além disso, as alunas do GP fazem monitorias e trabalhos com estudantes durante o recreio.










 Divulgação





 



O Grupo Primavera atende, atualmente, cerca de 400 jovens. Todos os anos, 80 novos alunos ingressam na organização, e aproximadamente 50 famílias permanecem na fila de espera. Durante os quatro anos de duração do curso, Jane afirma que o índice de desistência não chega a 5%. “Na maioria das vezes é porque elas mudam de bairro ou arrumam um emprego, mas por vontade própria é muito difícil,” constata.


 


Jane lamenta que 48% das meninas tenham os pais separados, e vivam em uma desestrutura familiar, escolar e moral antes de entrar no GP. Lá elas têm contato com arte, cultura, comunicação, informática, livros, aulas de marketing pessoal e inglês. Toda a renda gerada pelas alunas do Grupo Primavera é revertida para as próprias meninas. A ONG é financiada por incentivos do governo e de empresas como a Ashoka – Empreendedores Sociais, o Banco de Boston, a Telefônica, o Senac e o Grupo Orsa.


 


Segundo a avaliação de Jane, o Grupo Primavera é um trabalho que toda comunidade deveria desenvolver. “Nós não somos um reforço das escolas. Nós motivamos as meninas a aprender, isso sim”.


 


Mais informações sobre o GP pelo telefone (19) 3246-0021, e-mail



gprimavera@gprimavera.org.br



ou ainda pelo site



www.gprimavera.org.br



.


Comentários

comentários

PASSWORD RESET

LOG IN