Professores na berlinda

Rede municipal de Nova York pretende divulgar uma lista de classificação do desempenho docente que pode expor o nome de mais de 12 mil profissionais; decisão gera protestos de educadores

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O sistema educacional de Nova York está prestes a tornar pública uma lista com informações sobre o desempenho de mais de 12 mil professores da cidade nos últimos três anos. A classificação, conhecida como Relatórios de Dados dos Professores, é baseada em um tipo de avaliação docente que determina a “qualidade” do professor, levando em consideração as notas atingidas pelos alunos em provas padronizadas.


Segundo o jornal The New York Times, o pedido para ter acesso aos dados veio da própria mídia. Desde 2010, o sindicato de professores vem brigando nos tribunais norte-americanos para que os números continuem sendo sigilosos, servindo apenas como base para a elaboração de políticas públicas. Os advogados do sindicato argumentam que a divulgação dos dados violaria o direito de privacidade dos professores, já que eles teriam seus nomes divulgados ao lado das notas.


O ex-secretário municipal de Educação de Nova York Joel Klein, que criou os relatórios em 2008, apoia a decisão de divulgar a classificação. No entanto, o atual secretário Dennis Walcott se mostrou preocupado com o efeito moral que isso pode causar aos professores. “Eu não quero que nossos professores sejam estereotipados”, declarou Walcott ao The New York Times, em setembro de 2011. “Eu não vejo problema em os nomes estarem lá, pois devemos ser transparentes. Por outro lado, eu sou responsável por garantir a proteção da nossa força de trabalho e não deixar que notícias de jornal denigram sua imagem, porque eles estão dando o melhor para fazer seu trabalho”.


Outra questão levantada pela United Federation of Teachers (UFT) aumenta ainda mais a polêmica em torno da divulgação dos números. Em um comunicado, o presidente da UFT, Michael Mulgrew, afirmou que a metodologia usada nos Relatórios de Dados dos Professores abre uma grande margem para erro. Além disso, o Departamento de Educação não produz mais esses relatórios, pois espera-se a criação de uma nova política para o estado, que irá definir a porcentagem que as notas dos alunos devem agregar à avaliação docente. “A divulgação dos dados é inapropriada tendo em vista o fato de que o Departamento de Educação já declarou que o programa será interrompido e substituído por outro”, apontou Mulgrew.

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