Prevenção ao suicídio mobiliza alunos do ensino médio

Por meio de mensagens anônimas depositadas em urnas, jovens podem buscar apoio ou desabafar

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suicídio entre jovens

Foto: stutterstock

Todo ano, cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio, sendo a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, em 2016. Os dados foram divulgados pela Organização Mundial da Saúde, que, na véspera do Dia da Prevenção ao Suicídio, lembrado no dia 10 de setembro, publicou um conjunto de orientações para combater essas estatísticas.

O órgão internacional considera o suicídio uma questão de saúde pública – que já foi vinculada a doenças mentais, como depressão, e transtornos de uso de álcool. O objetivo dessas orientações é alertar, esclarecer, conscientizar e estimular a prevenção para reverter situações críticas como essas. Muitas vezes, familiares e amigos não reconhecem os sinais de que alguém vai tirar a própria vida ou a própria vítima não entende que precisa de ajuda. Por isso, falar sobre suicídio e discutir a depressão abertamente pode ter um forte impacto em quem enfrenta essa situação.

Pensando nisso, um grupo de cinco alunos do 2º ano do ensino médio do Colégio Anglo 21, na zona Sul de São Paulo, elaborou um projeto que visa incentivar os estudantes a falarem sobre seus problemas e angústias para que possam receber ajuda.

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Mural dos alunos do Colégio Anglo 21

“Durante o ensino médio, esses jovens enfrentam um período de muita pressão dos pais, da escola e deles mesmos. É o momento em que eles começam a traçar a escolha profissional, e as incertezas sobre o futuro causam muita apreensão”, afirma Sofia de Alencastro, orientadora educacional do colégio.

Os alunos colocaram duas urnas na escola – uma no banheiro feminino e outra no masculino –, para que nelas os estudantes depositem cartas em que narrem o que estão sentindo, algum acontecimento específico ou mesmo um desabafo. O autor pode autorizar, ou não, a divulgação da mensagem para que ela possa ser exposta no mural da escola. Os depoimentos que recebem essa autorização são lidos por outros alunos, que podem respondê-los com recados positivos através de post its. A cada 15 dias, as caixas são abertas e novos bilhetes ampliam o mural.

Segundo a orientadora, os alunos realmente se envolveram com o projeto, tanto os que enfrentavam algum problema quanto os que estavam dispostos a ajudar. “Os jovens relataram questões relacionadas ao mal-estar com o corpo, pressão dos pais, preconceitos relacionados à sexualidade e medo de repetir de ano”, completa.

As cartas não autorizadas à exposição são direcionadas a quatro psicanalistas parceiras do colégio. Os assuntos abordados nas mensagens serão colocados em pauta em rodas de conversa com os estudantes – para que todos possam se ajudar e ainda contar com apoio especializado.

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Estudantes usaram cartas para desabafo de seus sentimentos

O Colégio Anglo 21 já realiza rodas de conversa, chamadas Diálogos 21, sobre temas como projeto de vida, ansiedade, depressão, vínculos afetivos e outros comuns na adolescência. A ideia das urnas surgiu em agosto, após um desses encontros com alunos, pensando no início da campanha do Setembro Amarelo.

A escola pretende manter essa iniciativa durante todo o ano letivo e forma permanente. Pais e professores também estão engajados no projeto, tanto na divulgação da iniciativa quanto na atuação do auxílio e instrução aos alunos.

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