Prêmio para a qualidade

ONG homenageia programas para crianças e adolescentes, veiculados em canais abertos de televisão

Compartilhe
, / 800 0





Laurindo Lalo Leal Filho*

A baixa qualidade continua solta na televisão brasileira, mas existem algumas ilhas de bom gosto e respeito. Como são poucas, muitas vezes passam despercebidas, o que é ruim porque se mais conhecidas e divulgadas poderiam servir de exemplo e se multiplicar.



Passo importante para reverter essa situação vai ser dado neste final de mês com a entrega do
Prêmio MídiaQ

ao melhor programa exibido na TV aberta para crianças e adolescentes. A escolha da comissão julgadora terá como referência pesquisa desenvolvida pela empresa MultiFocus para a ONG Midiativa.




Numa primeira fase, foram relacionadas as expectativas de crianças, jovens e de seus pais sobre o que seriam programas de qualidade para três faixas etárias (de 4 a 7 anos, de 8 a 11 anos e de 12 a 17 anos). Alguns dos resultados foram publicados nesta coluna na edição de maio. Em agosto, saíram os dados da segunda parte da pesquisa, onde foram confrontados os programas mais lembrados pelos entrevistados com os critérios de qualidade apontados antes. Conclusão – previsível, mas nunca tão claramente explicitada – mostra a pobreza na oferta de programas infanto-juvenis que atendam às expectativas dos entrevistados como “incentivar a auto-estima”, “preparar para a vida” e “confirmar valores”.




Para os pequenos, de 4 a 7 anos, os mais citados como os melhores são programas antigos constantemente reprisados, como
Castelo Rá-Tim-Bum

,
Cocoricó

e
Chaves

. Não se produz nada de novo para essa garotada. Para os da faixa etária intermediária, de 8 a 11 anos, a situação é ainda pior: não há nada específico e eles têm que se contentar com o pouco que é feito para os mais novos ou para os mais velhos. A partir dos 12 anos, destacam-se programas que não são dirigidos especificamente a essa faixa etária, como o
Fantástico

ou o
Jornal Nacional

. Fazem falta o
Mundo da Lua

ou
Confissões de Adolescente

, sempre lembrados como referências de qualidade.




A pesquisa é um grande avanço em busca de dados concretos sobre o que o público realmente quer. Mas seus resultados precisam ser relativizados diante das limitações do trabalho. Programas mais lembrados são, quase sempre, aqueles de maior audiência e há muito tempo no ar, o que explica o alto número de referências ao
Fantástico

. De outro lado, aponta também a ausência de vários programas da MTV, sucesso entre os jovens, mas de acesso mais difícil.


De posse desses dados, a comissão julgadora terá o árduo trabalho de selecionar o programa que melhor atenda às expectativas dos entrevistados. Aos seus produtores, patrocinadores e à agência de publicidade que o incluiu no planejamento de mídia será entregue o
Prêmio MídiaQ

, como forma de incentivo à realização e ao apoio comercial desse tipo de programa. Que, como mostra a pesquisa, está fazendo muita falta em nossa telinha.



*Sociólogo, jornalista e professor na Escola de Comunicações e Artes da USP





laloleal@uol.com.br




Comentários

comentários

PASSWORD RESET

LOG IN