Preencha os quadrinhos

Além de trabalhar conteúdos de forma lúdica, jogos de palavras cruzadas estimulam funções cognitivas

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Herói da Independência, com dez letras, é Tiradentes. Sinônimo de estudante, com cinco, é aluno. Maior rio brasileiro, com oito, é Amazonas. E assim, enigma por enigma, lá se vão “os cinqüenta minutos de aula mais felizes” dos alunos do Centro Educacional Sesi de Pederneiras (SP). Ao menos é assim que Andréa Matano, coordenadora da instituição, resume a experiência. Foi dela a idéia de realizar uma atividade bimestral com palavras cruzadas. Participam todos os mais de 800 alunos do colégio, da 1ª à 8ª séries do ensino fundamental, preenchendo apressados os quadradinhos reservados para as respostas.

Em Guarulhos (SP), a Escola Municipal Doutor José Maurício de Oliveira desenvolve projeto semelhante. As revistas são distribuídas a alunos da 1ª à 4ª séries. O material também é usado à noite, com os adultos do curso de alfabetização. “O entusiasmo é o mesmo”, garante Elenice de Andrade, coordenadora pedagógica do colégio.

A adoção de revistas de palavras cruzadas como material paradidático vem se ampliando nas escolas. A Ediouro, responsável pela publicação da série
Coquetel

, deu início, em 2001, ao projeto
Coquetel nas Escolas

, que envolve a distribuição gratuita de exemplares a instituições de ensino de todo o Brasil. As escolas interessadas em participar pagam somente o custo do frete.

No ano do lançamento, o projeto atendeu 700 escolas. Hoje, a Ediouro tem, de acordo com Henrique Ramos, diretor editorial da
Coquetel

, 15 mil colégios em seu cadastro, entre os quais o Sesi de Pederneiras e a Escola Doutor José Maurício de Oliveira. A maior parte dos pedidos, que podem ser feitos por qualquer instituição, vem de estabelecimentos da rede pública. O sucesso da iniciativa, segundo Ramos, deve-se à capacidade que as palavras cruzadas têm de averiguar e transmitir conteúdos de maneira lúdica. “É uma bateria de exercícios, de testes, mas o aluno não se sente cobrado como numa prova”, diz.


Concentração –

Mais do que os benefícios de entreter e ajudar a ampliar o vocabulário dos estudantes, as palavras cruzadas estimulam uma variedade de funções cognitivas. É essa a visão da neuropsicóloga e arte-terapeuta Sonia Fortuna, que recomenda o uso dos jogos educativos em ambientes escolares. “As palavras cruzadas contribuem para o aumento da capacidade de concentração e de atenção, além de melhorar o percentual de retenção do conhecimento”, explica.

Para os idosos, particularmente, elas podem ser de grande utilidade no combate ao envelhecimento da inteligência. A Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), da qual Sonia é diretora, entende que revistas como as da linha
Coquetel

são importante ferramenta no tratamento dos sintomas de distúrbios da inteligência, como o mal de Alzheimer. O ato de buscar soluções para as palavras cruzadas faz com que o cérebro reative e crie conexões sinápticas, ligações pelas quais os neurônios transmitem sinais eletroquímicos uns aos outros. O resultado é o retardamento da perda de memória.

Quando começou a editar revistas de palavras cruzadas e outros jogos similares, há 57 anos, a Ediouro não tinha pleno conhecimento do potencial de seu produto editorial. Hoje, no entanto, uma rede de colaboradores de diversas áreas (educadores, psicólogos, jornalistas) participa da estruturação cada vez mais criteriosa dos conteúdos. O material distribuído nas escolas, por exemplo, é apresentado, antes de ser publicado, a crianças e professores. O processo de análise e aperfeiçoamento do conteúdo tem supervisão de uma pedagoga.

Ao encaminhar seu pedido à editora, o colégio recebe, além da quantidade de exemplares solicitada (normalmente, pouco superior ao número de alunos matriculados na instituição), um guia com sugestões de atividades. “O ideal é que o professor se coloque no papel de intermediário, de orientador do aprendizado”, afirma Sonia. Depois de utilizar a coleção em sala de aula, muitos estabelecimentos enviam a Ediouro um relatório, contando suas experiências. O retorno é fundamental para que a editora aperfeiçoe a produção de revistas.

“O educador sempre foi o maior parceiro desse tipo de publicação”, diz Ramos. O contato direto com os anseios do público faz com que as palavras cruzadas brasileiras tratem de uma variedade de conteúdos muito maior do que as publicadas em outros países. Os tópicos tratados no exterior são, basicamente, conteúdos de enciclopédia e curiosidades. O Brasil, observa Ramos, é o único do mundo em que pontos da Constituição e assuntos atuais, de interesse da sociedade, são abordados nas cruzadinhas. A Ediouro orgulha-se, por exemplo, de ter sempre aberto espaço em suas revistas para tratar do problema da Aids, as formas de contaminação e meios de prevenção. “Procuramos prestar serviços à população, atendendo às suas necessidades”, afirma.

Mais informações pelo site


www.coquetel.com.br/nasescolas.asp



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Reportagem: Cassiano José




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