Precisamos falar de Chico

Parece incrível, mas precisamos apresentar Chico aos mais jovens

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Chico Buarque - Construção - LP Polysom (capa) (Imagem: Reprodução)

Chico Buarque – Construção – LP Polysom (capa) (Imagem: Reprodução)

Pouco tempo atrás, em uma aula de cinema para jovens na faixa dos 20 anos de idade, em São Paulo, mencionei o nome de Chico Buarque. Diante da expressão dos alunos, que considerei estranha, fiz a pergunta: quem saberia apontar uma canção composta por ele? Ninguém soube – embora, depois de o professor cantarolar um ou outro clássico, o grupo fizesse o tradicional “ahhh…”.

Bem mais graves, no entanto, são os episódios recentes em que Chico foi hostilizado em público por suas posições políticas. Parece incrível, mas precisamos apresentá-lo aos mais jovens. Não se trata apenas de um esforço em nome da música e da literatura brasileiras. Sua obra ajuda a entender melhor a história do país nas últimas cinco décadas.

Comemoremos, portanto, o relançamento em vinil do álbum Construção. É uma boa oportunidade para lembrar as circunstâncias em que foi lançado, em 1971, e a maneira encontrada por Chico para driblar a censura, com a participação de outros artistas na gravação, como Tom Jobim e o grupo MPB4, e de Vinicius de Moraes em algumas letras.

O presidente era o general Emílio Garrastazu Médici, e a classe média urbana havia sido em parte seduzida pelo projeto de “Brasil grande” da ditadura civil-militar de 1964. Pois lá veio Chico com a faixa-título do álbum, com Deus lhe pague, com Samba de Orly, com Cotidiano – e um outro país, bem diferente da propaganda oficial, dava as caras em forma de poesia

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