Prazer de estudar

Maria Alcina, cantora que lançou sucesso Fio Maravilha, de Jorge Benjor, planeja volta à escola

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Alexandre Pavan



 


“Uma profissão eu já tenho, mas quero voltar à escola porque estudar me dá prazer”. A declaração é da cantora Maria Alcina, uma das grandes estilistas da música popular brasileira, revelada no VII Festival Internacional da Canção (FIC), da TV Globo, em 1972, quando defendeu o sucesso
Fio Maravilha

, de Jorge Benjor. Hoje, aos 54 anos, com a carreira consolidada e lançando seu primeiro CD –
Agora

(Outros Discos, R$ 20), em parceria com o grupo de música eletrônica Bojo -, ela planeja voltar aos bancos escolares para cursar o ensino médio.



Mineira de Cataguases, Alcina começou a trabalhar muito cedo para contribuir com o orçamento doméstico. Foi tudo, de engraxate à operária de fábrica. Também prematuramente envolveu-se com a vida artística: com 14 anos já freqüentava o grupo de teatro de sua cidade, discutindo poesia, música e artes plásticas. Com uma infância atribulada, Alcina não teve tempo de concluir a educação primária.


No final dos anos 60, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde se tornou estrela da noite carioca, cantando na boate Number One. Ali, sua figura irreverente chamava a atenção. Além da voz marcante de contralto, que lembrava um homem cantando, Alcina caprichava na maquiagem e vestia roupas para lá de extravagantes. Não deu outra: foi convidada a participar do FIC, um dos festivais que movimentavam o cenário musical da época. Venceu a disputa sendo ovacionada pela torcida do Flamengo – o personagem-título da canção era o ídolo rubro-negro do momento.



Ao longo de uma carreira que passa por shows, teatro e televisão, Alcina lançou cinco LPs e cinco compactos, tendo gravado sucessos de João Bosco (
Kid Cavaquinho

), Adoniran Barbosa (
Torresmo à Milanesa

), entre outros. Em 1997, depois de voltar de Nova York, onde fez uma temporada em homenagem à Carmem Miranda, Alcina resolveu retomar os estudos, interrompidos há praticamente 40 anos. “O artista, quando sobe ao palco, se entrega totalmente à platéia. Eu fiz isso a vida inteira. Mas um dia pensei: ‘Preciso me dedicar um pouco a mim também’. E me matriculei no colégio”, recorda a cantora.



Ela preferiu o curso convencional, de maior duração, aos supletivos. Fechou os estudos de quinta a oitava série – sem repetir um único ano – na Escola das Cônegas de Santo Agostinho, no bairro de Higienópolis, em São Paulo (SP), cidade onde reside desde os anos 80. Na sala de aula, a aluna era bem parecida com a artista: competente, mas bagunceira.



Posteriormente, Alcina iniciou o ensino médio do Colégio Caetano de Campos, desta vez dividindo a sala com gente mais jovem que ela. “Os colegas traziam revistas antigas com fotos minhas para eu autografar, pois os pais eram meus fãs”, conta. Novamente, teve que abandonar a escola por motivos profissionais. Mas se a agenda deixar, pretende retomar os estudos ainda este ano. “Estou com saudade das aulas de português, que eu adoro.”


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