Poucos e bons

Projeto no Sul da Bahia forma jovens empresários rurais

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Os processos de seleção já atingiram números equivalentes à disputa de lugares em cursos de ponta nas melhores universidades do país – algo entre 15 e 20 candidatos para cada uma das 35 vagas abertas todo ano. Eles se submetem a prova escrita, análise de currículo e entrevistas. O objetivo é selecionar jovens com perfil empreendedor e de liderança comunitária que se adaptem ao ensino em formato de alternância.

Durante duas semanas, os alunos pesquisam com suas famílias os temas previstos nos planos de formação. Em seguida, passam uma semana em período integral na sede da escola. “Nesse momento, eles socializam os saberes sobre a sua realidade e ampliam o conhecimento técnico-científico através do que chamamos de Fichas Pedagógicas, visitas técnicas, cursos e outras atividades”, explica Joana Almeida, coordenadora pedagógica.

A primeira turma da Casa Familiar Rural (CFR) de Presidente Tancredo Neves (BA) – Centro de Formação de Jovens Empresários Rurais chega em 2006 ao terceiro ano, de um total de quatro. Embora os alunos veteranos ainda estejam na metade do curso e os calouros tenham completado apenas 25% do currículo, os efeitos provocados pela iniciativa — patrocinada pela Fundação Odebrecht como parte de programa voltado ao  “desenvolvimento integrado e sustentável” do Baixo Sul da Bahia – já se fazem sentir nas famílias e comunidades às quais pertencem.

“A CFR é uma instituição criada à luz da experiência francesa na educação de jovens agricultores rurais, a partir da qual foram criadas centenas de entidades análogas em diversos países”, observa Joana. “Há dezenas delas operando no Brasil, com sucesso, em sua maioria concentradas no Sul do país. Entendemos que a pedagogia da alternância, associada à estratégia do protagonismo juvenil e do desenvolvimento empresarial, deverá possibilitar aos jovens a vivência da ação-reflexão-ação, na educação pelo trabalho e com a troca de experiências dos saberes compartilhados com suas famílias e comunidades.”

No início da primeira alternância, cada aluno elabora seu plano de estudo por meio da Pesquisa Participativa Coletiva (PPC), com o objetivo de adquirir e sistematizar conhecimentos sobre a sua realidade, além de aumentar a interação com a comunidade e com o processo socioprodutivo. Na CFR, compila os dados orientados pelos monitores e depois, integrado aos colegas, organiza um seminário para levar os resultados do trabalho à sua comunidade. Nesse evento, se apresenta (e “se batiza”, diz Joana) como “Jovem da CFR”.

Até o final de 2005, foram realizados 27 seminários locais e dois regionais, com a participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), entre outros parceiros. O planejamento prevê a implantação, junto à CFR, da Unidade Tecnológica de Referência, voltada para o desenvolvimento das cadeias produtivas da mandioca, aqüicultura, palmito e piaçava, além do incentivo à preservação do meio ambiente e ao turismo ecológico.



Veja mais, na versão impressa:

– Como se organiza o ano letivo – um quadro com as alternâncias e temas dos dois anos do projeto

– Os objetivos gerais do programa

– Os critérios de seleção de alunos para a CFR de Presidente Tancredo Neves

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