Por uma alfabetização científica

O método científico não deve ser entendido como conhecimento exclusivo dos pesquisadores; pode ser explorado pelos professores desde a educação infantil

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As professoras Célia Maria Piva Cabral Senna, bióloga, e Julia Pinheiro Andrade, geógrafa, trabalham juntas na área de docência, em programas de formação continua­da de professores das redes pública e particular de ensino em ciências. Elas apontam a questão da alfabetização científica como o grande tema a ser explorado hoje pela disciplina. “Aprender a pensar de maneira consistente e lógica é uma habilidade essencial do ser humano pouquíssimo explorada na educação infantil. O método científico não deve ser entendido como um conhecimento privado e/ou exclusivo dos cientistas ou apenas para os iniciados”, afirma Julia, 15 anos de atuação na Educação Básica.
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“O maior desafio é a necessidade de ampliarmos os horizontes das crianças e jovens e respeitarmos a curiosidade e o processo investigativo natural deles, alimentando-os cada vez mais”, sustentam.


Para a professora Odisséa Boaventura de Oliveira, responsável pela área Didática das Ciências Naturais no curso de pedagogia da UFPR e à frente do Grupo de Pesquisa Processos Formativos e Linguagens na Educação em Ciências da Natureza, a mediação didática seria um tema importante para discussão. “Há que se reconhecer o conhecimento escolar como dono de uma epistemologia própria. Não se trata de uma simplificação ou adaptação do conhecimento científico e sim de sua didatização. Aí, em geral, residem as dificuldades: a escola julga que a ciência é difícil de ser ensinada e a simplifica – e não dá para achar que o aluno aprenderá a partir da passagem facilitada do pensamento concreto para o abstrato”, diz a pesquisadora, destacando também a necessidade de se popularizar o saber e o fazer científicos. “Apresentar que a ciência é uma construção humana, permeada por erros, que existem relações entre a ciência e outros campos e que não é um fazer isolado e neutro, pois faz parte de um contexto social, econômico, político, pode contribuir para desmistificar essa visão”, afirma. E resume o que entende como fundamental na docência em ciências: “O professor deve responder a três perguntas: ‘o que ensinar?’, ‘como ensinar?’, ‘por que ensinar?’. Ou seja, os conteúdos de ensino, as abordagens desse ensino e os motivos/objetivos desse ensino, considerando o principal sujeito envolvido, o aluno.”

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