Por que o fechamento de salas de leitura e bibliotecas na educação infantil não pode virar uma tendência

Prefeitura de São Paulo fechou espaços para criar mais turmas

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Foto: Shutterstock

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O mês de maio ficou marcado pela perda de um dos maiores pensadores brasileiros. Sociólogo, crítico literário e professor universitário, Antonio Candido também foi um dos teóricos que ajudou a pensar a literatura como um direito de todos, inclusive das crianças. É o que relembra a pesquisadora Mônica Correia Baptista, do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ao comentar a decisão da Prefeitura de São Paulo de fechar salas de leitura em escolas de educação infantil para criar mais turmas.

“Entendida como qualquer forma de narrativa ficcional, o que inclui as histórias orais, as cantigas de roda e as parlendas, a literatura não deve ser tratada apenas como uma estratégia para ensinar determinados conteúdos. Ela é importante para a criança exercitar a imaginação e ampliar suas referências”, enfatiza. “As crianças também necessitam da fantasia para entender e se relacionar com o mundo, como pontuava Vigotski”, acrescenta.
Até o início de maio, 33 Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) haviam passado pelo fechamento dos espaços – brinquedotecas e salas de informática também viraram salas de aula.

A assessoria de imprensa não quis revelar quais escolas foram afetadas nem se a expansão de vagas continuará sendo feita com base nesse método. Por meio de nota, foi informado que a gestão do ex-prefeito Fernando Haddad recorreu ao mesmo expediente, mas optando pelo fechamento apenas de salas de informática.

Atualmente, 24% das Emeis têm salas de leitura, segundo a prefeitura, mas na rede pública brasileira como um todo, considerando as escolas que oferecem educação infantil, esse número é ainda menor: 13%. O percentual das que possuem bibliotecas é ligeiramente maior, mas não chega a 20%.

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Segundo os porta-vozes da prefeitura, a supressão das salas de leitura e outros espaços de uso comum visa garantir a inclusão das crianças de 4 e 5 anos na pré-escola, como determina o Plano Nacional de Educação. Como solução, os livros e brinquedos foram espalhados pelas salas, que ganharam “cantinhos de leitura”. Na opinião da professora Mônica, a solução é inadequada. “Somente um espaço dedicado exclusivamente aos livros consegue transmitir a relevância deles”, aponta. Enquanto o percentual de escolas com salas de leitura ou bibliotecas diminui nas redes públicas, há aumento considerável na rede particular em ambos os casos. É esse o acesso que queremos garantir às populações menos inseridas na cultura letrada?

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