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Movimento mundial de ecovilas promove integração entre homem e natureza usando conceitos educacionais, ecológicos e filosóficos

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Paula Thomaz

A ecologia e a preocupação com a conservação da natureza entraram com maior ênfase na pauta das escolas brasileiras a partir da ECO 92, a conferência das Organização das Nações Unidas (ONU) sobre meio ambiente e desenvolvimento. Doze anos depois, a educação ambiental ainda luta para ter a relevância devida, com professores apresentando dúvidas sobre como e quando colocá-la em prática.



Algumas respostas podem ser encontradas no Parque Ecológico Visão Futuro, na cidade de Porangaba, no interior de São Paulo. Lançada no Brasil no início dos anos 90, a experiência faz parte do movimento mundial das ecovilas, projetos criados em contextos rurais e urbanos com a intenção de promover soluções para necessidades humanas, melhora da qualidade de vida e proteção ao meio ambiente por meio do desenvolvimento sustentável. Cerca de 1 milhão de pessoas estão envolvidas em uma das 15 mil experiências similares, no mundo todo. Atualmente, o Brasil reúne sete desses núcleos ecológicos.




Em Porangaba, a experiência começou com o apoio financeiro do governo da Suécia e da ONG Visão do Futuro. O objetivo era que se tornasse um modelo de desenvolvimento rural integrado, servindo como um centro de educação ambiental. Hoje, a ONG e o parque estão integrados e se mantêm com recursos próprios, a partir da venda de artesanato, pães, cosméticos e alimentos produzidos lá.




No parque ecológico, o ser humano é colocado num contexto amplo de vida em comunidade. Os alimentos consumidos pela ecovila vêm de uma horta orgânica cultivada pelos moradores, que também produzem seus pães, medicamentos fitoterápicos e roupas. Um sistema integrado de energia renovável, a reciclagem de lixo, e o reaproveitamento de água complementam as ações locais. A creche do núcleo atende 20 crianças, todas filhas de funcionários do parque. As atividades educacionais praticadas com esses jovens seguem os princípios da holística, cuja proposta é exercitar corpo, mente e espiritualidade (
leia mais à pág. 40

).




Meditação, relaxamento, automassagem e o ato de contar histórias fazem parte do que os educadores da ecovila chamam
Círculo do Amor

, o momento de auto-conhecimento que antecede as aulas propriamente ditas.




“Hoje, mesmo as crianças são estressadas e têm, freqüentemente, uma carga emocional negativa. As práticas que elas aprendem no
Círculo do Amor

, que é a primeira atividade de cada dia, as ajudam a relaxar e se sentirem em harmonia com o mundo ao seu redor”, explica a norte-americana Susan Andrews, fundadora do Parque – ela veio para o Brasil durante a ECO 92 e nunca mais foi embora.




Após a ioga, a professora leva os estudantes à floresta, para que o cenário físico se misture ao imaginário, e as histórias envolvendo a ação da natureza, plantas, animais, respeito e solidariedade ganhem outra dimensão, estimulando as crianças pelo olfato, visão, audição, tato ou paladar.




Além dessas atividades, os alunos da creche também cuidam de uma horta orgânica e fazem a coleta seletiva de lixo. “Ensino que eles estão guardando aquele lixo e, de alguma forma, aquilo vai voltar para eles. Procuro não denominar como lixo, pois isso também muda a postura deles em relação aos restos de comida, por exemplo”, explica Fernanda de Almeida Mendes, professora da ecovila.


Para Susan, trabalhar a educação ambiental é algo que vai além do meio ambiente. “Colocamos em prática as boas idéias desenvolvidas no decorrer da história da educação. Utilizamos também as técnicas orientais de expansão da consciência, para as camadas mais sutis da mente, estimulando o ser humano em sua totalidade”, ensina.


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