Pesquisadora defende trabalho colaborativo no campo da formação de professores e criação de materiais didáticos


Junto com um grupo de professores, ela desenvolveu materiais acessíveis a alunos com deficiência visual

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Formada em Biologia e mestre em Educação, Aline Piccoli Otalara tem uma trajetória acadêmica e profissional associada ao desenvolvimento e à reflexão sobre materiais didáticos. Unindo esses dois interesses, Aline desenvolveu uma pesquisa de doutorado em Educação Escolar na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara, em que propõe e enfatiza as vantagens das metodologias colaborativas no campo da formação de professores e da criação de materiais didáticos. Leia, a seguir, a entrevista.

+ Saiba mais sobre a pesquisa

Como surgiu o interesse em pesquisar o processo de formação continuada do professor, aliado à produção de materiais didáticos?
Aprendi muito com os professores, coordenadores e com os alunos. Depois de formada, fui selecionada em um edital da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unesp (INCUNESP-Rio Claro) e resolvi abrir minha própria empresa nessa área de desenvolvimento de materiais didáticos.

Meu objetivo era elaborar projetos com maior liberdade e implementando concepções da educação ambiental, tema com que sempre estive envolvida na graduação e no mestrado. No mestrado, fiz uma análise do tema água em livros didáticos de ciências.

Também fui professora nas redes estadual e municipal de ensino e tive alunos com deficiência visual na sala de aula. Ao mesmo tempo, minha empresa prestava assessoria para o Centro de Educação Continuada em Educação Matemática, Científica e Ambiental (CECEMCA), da Unesp. Nesse projeto, colaboramos no desenvolvimento de materiais didáticos para educação ambiental e educação especial.

Essa convergência de situações me levou a unir minha paixão pelos materiais didáticos, com a necessidade e carência desse tipo de material para pessoas com deficiência visual, mundo esse do eu qual nunca mais me afastei.

Propus-me a fazer um doutorado na área, além de continuar a desenvolver na empresa projetos de pesquisa e desenvolvimento nessa área.

E a formação de professores, como se interessou pelo tema?
A formação de professores também se tornou algo importante na minha vida desde a graduação, quando eu participava de uma ONG de educação ambiental e ia às escolas para oficinas e palestras com professores e alunos. A preocupação se tornou mais instigante quando comecei a trabalhar com a educação de pessoas com deficiência visual, pois se tornou uma necessidade própria muito forte.

Assim, convivendo com meus colegas professores, pude perceber o quanto a nossa formação era incipiente nessas duas áreas, ou seja, tanto na de desenvolvimento de materiais didáticos, quanto no ensino de pessoas com deficiência.

Na pesquisa de doutorado, você adotou a pesquisa colaborativa como referência metodológica. Por quê?
Minha pesquisa de doutorado é uma pesquisa qualitativa com contornos da pesquisa colaborativa. O uso de elementos da pesquisa colaborativa pareceu ideal, pois o que era central para nós era justamente avaliar esse modelo formativo em que as trocas de experiências entre futuros professores, ainda em formação inicial, professores atuantes em salas regulares e professores especializados no ensino de pessoas com deficiência.

Como método de coleta de dados, utilizei questionários, filmagens e a elaboração de materiais didáticos. E para análise dos dados, a análise de conteúdo, segundo a perspectiva de Laurence Bardin [professora de psicologia da Universidade de Paris V].

Quais os principais ganhos que sua pesquisa traz para o debate relativo à formação de professores?
Espero que essa pesquisa, que não foi feita apenas por mim, mas construída por muitas pessoas, possa contribuir no sentido de repensar os modelos de formação inicial e continuada de professores.

Acredito que o tema em si, seja material didático ou inclusão não é o mais relevante, pois é necessário repensar a formação de professores como um todo. É fundamental que o conhecimento de alunos e professores não sejam apenas levados em conta nas formações. É preciso que eles sejam propulsores das discussões dos cursos, pois acredito nisso como um caminho viável para que sejam realizados cursos de formação que de fato “cheguem” às salas de aula.

 

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