O Egito Antigo para crianças, pelo olhar de uma egiptóloga



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O Egito Antigo passo a passo, de Aude Gros de Beler, com ilustrações de Aurélien Débat. Tradução de Julia da Rosa Simões. Editora Claro Enigma, 80 páginas, R$ 32,90.

80 páginas,
R$ 32,90.

Não é de hoje que o 1% da população chama a atenção. Se atualmente o 1% que causa rebuliço é a parcela de endinheirados do planeta, no Egito Antigo essa minoria era composta pelos escribas. Por deter um conhecimento que faltava aos outros, eram privilegiados, pois mesmo os poderosos dependiam de seus préstimos.

E não era fácil tornar-se um escriba. Para isso, era preciso conhecer algo em torno de 750 diferentes símbolos que compunham a escrita hieroglífica. Alguns símbolos, os fonogramas, representavam um som. Mas esse som, tal qual nossas sílabas, podiam corresponder a uma, duas ou três letras. Já os ideogramas eram uma tradução visual do objeto que representavam.

Assim como esse, vários outros aspectos da vida cotidiana do país banhado pelas águas do Rio Nilo surgem, em pequenas pílulas, nas páginas de O Egito Antigo passo a passo, livro para o público infantojuvenil da arqueóloga e egiptóloga francesa Aude Gros de Beler, ilustrado por Aurélien Débat. Aude, hoje professora da Universidade de Nîmes-Vauban, na França, participou de uma expedição que se deteve em Tanis, na região de Tebas, especializando-se em questões sobre a vida cotidiana do Egito Antigo.

Escrito em linguagem simples e ilustrado com um traço típico das histórias em quadrinhos, pode tanto ser lido pelos pais e professores para crianças menores, como permite leitura autônoma daqueles com letramento mais avançado. Também pode ser fruído por adolescentes interessados em história sem que julguem a abordagem como infantil.

iluistra-estanteEsse tratamento permite mostrar ao leitor diversos aspectos e curiosidades, ainda que sem precisar muitas vezes de que período exatamente se está falando; afinal, como indica a cronologia no início do livro, o intervalo é longo: vai de 3150 a.C., início da Época Tinita, a 395 d.C., final dos tempos de província romana.

 

Nesse percurso, o livro divide-se em quatro grandes olhares sobre o Egito, mostrando quem eram os homens de então; como estava organizado o trabalho e quais eram os ofícios; como se dava a vida cotidiana (faceta privilegiada pelo saber antropológico da autora); e, por fim, um pequeno guia para o turista dos tempos atuais, com um rol de recomendações para crianças que viajem com seus pais.

Na descrição da vida cotidiana, há vários aspectos interessantes, como os sistemas construtivos que já possuíam edificações verticalizadas, ou o lugar de destaque da mulher no casamento que, quando rompido, a beneficiava.
No tema da educação, faz falta algum referencial mais aprofundado sobre quem e quantos tinham acesso a ela, e de que natureza. Pelo visto, poucos, como indica o número de escribas então em circulação.

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