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De acordo com as autoridades britânicas, só um telespectador qualificado pode exercer o direito de exigir bons programas de TV

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O Reino Unido resolveu investir pesado num projeto de alfabetização para a mídia, destinado particularmente à televisão. A ideia é aumentar a participação do público no controle social da TV, cada vez mais difícil num mundo em que a oferta de canais cresce rapidamente. De acordo com as autoridades britânicas, só um telespectador qualificado pode exercer o direito de exigir bons programas de televisão.

Para isso, é preciso que ele tenha claro como funcionam as emissoras, quais os seus objetivos comerciais e culturais, com que recursos trabalham e quais são as suas responsabilidades sociais, além de entender como o material que vai ao ar é coletado, selecionado e editado. Mais do que isso: a alfabetização para mídia quer tornar qualquer cidadão capaz de produzir um programa de TV, partindo da ideia de que sabendo fazer, a cobrança fica mais fácil e consistente.

Essa tarefa é realizada numa operação articulada entre o órgão regulador da radiodifusão, as emissoras e as escolas de diferentes níveis. A contribuição das empresas de comunicação é fundamental. Começa pela transparência das informações, com todos os seus dados franqueados ao público. Recentemente, a produtora da versão britânica do
Big Brother 
mostrou como parte dos lucros auferidos pelo programa é reinvestida em documentários voltados para a educação e a informação em geral.

As emissoras são responsáveis também pela produção de material escolar em vídeos, CD-ROMs, DVDs e livros em que a televisão é minuciosamente explicada, em níveis de complexidade compatíveis com as diferentes faixas etárias. Guias para usar programas de TV em salas de aula são oferecidos pela internet para serem copiados e usados pelos professores. Há ainda um programa especial voltado para aqueles que participam de programas de educação continuada de adultos.

Entre outros objetivos, busca-se aqui aproximar as pessoas mais velhas das novas tecnologias. Uma série de três vídeos, produzidos pelo Channel 4 e distribuido às escolas, mostra os bastidores de um dia de trabalho na emissora. O primeiro acompanha uma equipe de produção ao longo do dia, o segundo descreve como se monta uma grade de programação e o terceiro relata como foi realizado o primeiro programa. Há também uma série didática, ainda mais específica, que ensina a produzir programas jornalísticos e roteiros de humor ou drama.

A ambição desse conjunto de programas é criar um telespectador crítico, capaz de distinguir, por exemplo, o fato jornalístico da ficção ou a reportagem da opinião. Intrumentalizá-lo também para poder perceber as implicações sociais de um programa fútil, voltado para celebridades, e de um documentário que contribua para a ampliação do conhecimento e da cidadania. Ao lançar o programa de alfabetização para a mídia, a ministra da Cultura, Mídia e Esporte do Reino Unido, Tessa Jowell, foi categórica: “Acredito que no mundo moderno o ensino da mídia se tornará uma matéria tão importante com a matemática ou a ciência. Decodificar nossa mídia será vital para nossas vidas como cidadãos, com é a alta literatura para nossa vida cultural”.

Reportagem: Laurindo Lalo Leal Filho

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