Para compreender a “banalidade do mal”

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Mesmo quem não leu o livro-reportagem Eichmann em Jerusalém talvez já tenha sido apresentado, por meio de outras obras ou de aulas, ao conceito que sua autora apresenta, o da “banalidade do mal”. Em 1963, quando a argumentação da alemã Hannah Arendt (1906-1975) veio a público, nasceu uma intensa controvérsia que até hoje ainda não se esgotou. Ao sugerir que um criminoso de guerra nazista era apenas um burocrata que executava ordens superiores sem refletir sobre elas, e também ao apontar para o papel duvidoso exercido por algumas lideranças judaicas durante a ascensão do III Reich, ela estaria propondo – perguntaram seus críticos na ocasião – relativizar o Holocausto?

Dirigido pela alemã Margarethe von Trotta, o drama Hannah Arendt (Alemanha/Luxemburgo/França, 2012, 113 min) ajuda a entender as matrizes intelectuais desse corajoso trabalho de reflexão, bem como as circunstâncias em que o livro foi produzido e recebido. No início, conhecemos um pouco da vida pessoal e profissional de Arendt em Nova York. Depois, os anos dedicados ao livro polêmico, incluindo a barulhenta recepção, que lhe rendeu ataques pesados e profundas inimizades. Alguns flash-backs nos levam também a seus anos de juventude como universitária na Alemanha, onde foi aluna e amante do filósofo Martin Heidegger (1889-1976).

Na perspectiva histórica e filosófica, Hannah Arendt oferece material de sobra para diversas reflexões. Educadores de vários campos do conhecimento podem explorá-lo também como exemplo de uma trajetória notável no campo universitário: a de uma professora para a qual seu papel na sociedade não compreendia apenas estimular intelectualmente os alunos a pensar de maneira independente de qualquer restrição ou condicionamento – o que já seria muito, aliás. Para Arendt­, a agenda incluía assumir publicamente opiniões talvez incômodas e antipáticas, mas fundamentais para fazer avançar o entendimento sobre a própria natureza humana.

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