Para abordagem prática no ensino de ciências, professores precisam de formação específica em trabalho

Marcos Paim, diretor do programa Stem Brasil, defende oferecimento de capacitação aos docentes

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Para abordagem prática de ciências, professores precisam de formação específica em trabalho

Foto: Shutterstock

Desde muito pequenas, as crianças podem – e desejam – fazer experiências. “Podem fazer descobertas inclusive com brinquedos. É possível também desenvolver trabalhos de campo dentro da própria escola ou do entorno. Conforme vai avançando, se aprimoram os conhecimentos e passam a ser trabalhadas questões mais complexas, de forma mais aprofundada”, explica Marcos Paim, diretor do programa Stem Brasil e de tecnologia da Worldfund. Stem é a sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

Para promover essas descobertas, o professor precisa de uma formação específica em trabalho, defende Paim. “Ele precisa de apoio para oferecer mais oportunidades de aprendizagem para seus alunos. A questão é como desenvolver projetos dentro da grade, dentro da rotina e das condições da escola, seguindo o currículo exigido”, afirma. Outra questão prática importante de ser discutida é a avaliação. “O professor se preocupa muito em como avaliar de forma justa”, diz. Trabalhos coletivos, nos quais os erros também promovem aprendizados, em que a atitude muitas vezes importa mais que o resultado final, precisam de outra cultura avaliativa. Se nas provas a busca é pela resposta certa, nas ciências a dúvida é mais importante.

“O professor precisa ter a segurança de estar num processo que dá liberdade para os alunos, mas que é estruturado. Ele tem de saber aonde quer chegar, identificar os pontos para melhorar com os alunos”, explica Paim. Para que isso aconteça, a capacitação tem de ser prática. “Muitas capacitações dizem o que eles deveriam fazer, mas raramente dão oportunidade de experimentar. A gente promove uma formação ‘mão na massa’, para que ele consiga dimensionar como levar isso para a escola.” Ainda que as aulas teóricas tradicionais sejam inevitáveis, se há processos investigativos os alunos ficam mais receptivos às ciências como um todo, porque passam a ver significado.

O programa Stem Brasil começou em 2009 com um piloto na cidade de Recife. Desde então, já ampliou sua presença para 15 estados, atingindo 4 mil professores. Atualmente capacita docentes do ensino médio e do fundamental 2. Em 2018, devem ser incluídos professores dos primeiros anos do fundamental. “Nossa meta é transformar a ação numa política pública. Queremos uma formação que seja impactante, e que o professor se sinta apoiado na escola”, afirma Paim.

Promover uma abordagem prática, com integração das disciplinas do Stem, é uma tendência global, mas ainda é uma “novidade” no Brasil, avalia Sérgio Freire, da Lego Education. “Lá fora o Stem é parte do currículo; nosso trabalho é incluí-lo nos currículos por aqui”, afirma.

“Estamos num movimento forte de desmistificar a tecnologia na educação. É um caminho sem volta, porque o futuro será baseado na tecnologia”, prevê Freire.

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