Os exemplos

As lições de Cuba e Finlândia, dois dos países que mais valorizam a docência

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A experiência mostra que a qualificação do professor é um fator que faz grande diferença na aprendizagem dos alunos. Casos de países como a Finlândia e Cuba, cujos estudantes se destacam em avaliações internacionais, são exemplos.
"Talvez fosse importante aprendermos com a experiência de outros países, em que a educação vem obtendo melhores resultados", pontua a pesquisadora da Fundação Carlos Chagas Maria Malta Campos, referindo-se ao estudo do professor Martin Carnoy, da Universidade de Stanford, que compara o ensino no Brasil, em Cuba e no Chile, recentemente lançado no país.

Embora não desconsidere possíveis impactos das formas de governo, Carnoy identifica aspectos inerentes à estrutura do sistema educacional como propulsores da qualidade. Assim, entre os fatores que colocam os estudantes cubanos em vantagem sobre os demais está, justamente, a formação de professores com foco no currículo das séries em que vão atuar.

Ou seja, a tese do autor é que, por conhecerem bem o conteúdo a ser ministrado e terem uma formação que enfoca o "ensinar a ensinar", os professores têm condição de realizar um trabalho mais qualificado.

Outros fatores se somam a esses, tais como a existência de uma estrutura de acompanhamento e monitoramento dos docentes cubanos em início de carreira, de modo a fornecer suporte e orientação aos profissionais – característica presente em vários países que se destacam pela qualidade – e o fato de os melhores alunos do nível médio serem recrutados para os cursos de formação de professores.

A Finlândia, que tem destaque absoluto no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), é outro caso que costuma vir à tona quando a qualidade da educação está em debate. Lá, os candidatos ao magistério devem, obrigatoriamente, ter formação em nível de mestrado e doutorado. Além disso, há conteúdos desde o segundo ciclo do ensino fundamental que ajudam na formação no caso de uma futura opção pela docência.

"É muito diferente da atual ‘formação’ em licenciatura que temos no Brasil, que consiste em obter alguns poucos créditos, incluindo Psicologia da Aprendizagem, Didática Geral, Organização da Educação Brasileira e pouco mais", afirma Rogério Córdova, da UnB, criticando a superficialidade e a insuficiência do que é ofertado aos futuros docentes face à "complexidade do fazer educativo e pedagógico".

Assim como em Cuba, na Finlândia as faculdades de pedagogia e os cursos de licenciatura atraem alunos bem qualificados do secundário, que tenham tido um desempenho diferenciado. Estes, em contrapartida, se veem atraídos por um bom salário (entre 2 mil e 3 mil euros) e condições de trabalho adequadas.

Além disso, os docentes têm de realizar pesquisas, produzir artigos e elaborar teses e dissertações, o que contribui para a criação de uma mentalidade que valoriza o questionamento de ordem científica e a atualização constante.

Um aspecto que não pode ser relegado a um plano secundário, contudo, é que, para atingir o atual estágio, a Finlândia iniciou, há cerca de 30 anos, um forte movimento de valorização da educação e de reformulação do sistema educacional. (Marta Avancini)

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