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Pais e filhos julgam qualidade do que é transmitido pela TV e apontam dez mandamentos para os bons programas infantis e juvenis

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Mônica Krausz

Uma pesquisa realizada com pais, mães, crianças e adolescentes de 4 a 17 anos é o novo instrumento utilizado pela ONG Midiativa – Centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Adolescentes – para promover qualidade nos programas de TV infanto-juvenis. Por meio dela, a ONG, que atua desde 2002 com projetos que focam tanto os profissionais de comunicação quanto os educadores e os pais, pretende estimular a produção e o investimento em qualidade. Com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a entidade desenvolve uma metodologia de formação de professores no trabalho de leitura crítica da TV.



De acordo com Sirlene Reis, diretora do Midiativa, a pesquisa desfaz alguns mitos como o de que tudo o que os pais acham bom os filhos acham chato. Ou o de que programas educativos não são atraentes. Tanto que
Castelo Rá-Tim-Bum

, uma produção criada há dez anos pela TV Cultura, é ainda um programa muito bem avaliado pelos pais e aparece como um dos programas preferidos tanto por crianças de 4 a 7 anos quanto pelas crianças de 8 a 11 anos das classes A, B e C.




Segundo Sirlene, a pesquisa também mostrou que nem sempre os programas que são da preferência dos filhos são mal avaliados pelos pais, pelo contrário. “Há sintonia entre o que pais e filhos pensam sobre qualidade de TV”, avalia Sirlene. “Eles gostam do que os filhos gostam, mas querem que a televisão transmita outros valores além de ser divertida e atrativa”, explica. E, para os pais, a televisão não está incentivando a auto-estima dos adolescentes, nem preparando as crianças para a vida.




O trabalho que a Multifocus Pesquisa de Mercado realizou para o Midiativa começou em março do ano passado com uma pesquisa qualitativa. Numa primeira fase foram entrevistados 30 casais paulistas de classes A,B,C, com filhos nas faixas de 4 a 7 anos, 8 a 11 anos e 12 a 17 anos. A idéia era descobrir o que os pais desejavam dos programas feitos para seus filhos. Dessa pesquisa surgiu o que o Midiativa chama de os dez mandamentos para um programa de qualidade assistido pelo público infanto-juvenil (
leia no quadro à pág. 66

).


Numa segunda fase, dessa vez quantitativa, 180 pais e mães indicaram que valores dentre aqueles dez eles identificavam nos programas preferidos dos filhos, nacionais ou internacionais. Os mais bem avaliados –
Castelo Rá-Tim-Bum

e
A Grande Família

– receberam o
Prêmio MídiaQ

, em setembro.




Dos 4 aos 7 anos –


Entre os mais citados estão desenhos animados como
Bob Esponja

,
O Pequeno Urso

e
Rugrats

, e os programas
Bom Dia & Cia

,
Castelo Rá-Tim-Bum

,
Cocoricó

,
Eliana na Fábrica Maluca

,
Sítio do Picapau Amarelo

e
Xuxa no Mundo da Imaginação

. Na avaliação dos pais, a tarefa mais importante que deveria ser cumprida pelos programas infantis dessa faixa etária, que é confirmar os valores transmitidos em casa e na escola como respeito ao próximo, solidariedade e harmonia familiar, é mais identificada com o desenho
O Pequeno Urso

, o seriado
Sítio do Picapau Amarelo

e o antigo
Castelo Rá-Tim-Bum

. Para os pais,
Castelo…

,
Sítio…

e
Ilha Rá-Tim-Bum

também são os mais identificados como geradores de curiosidade. O
Castelo…

tem outro ponto favorável: para os pais, é o único que incentiva a auto-estima não reforçando preconceitos nem estereótipos.






Dos 8 aos 11 anos –


Alguns programas eleitos como os preferidos pelas crianças são os mesmos da faixa anterior, como
Castelo…

e
Rugrats

. Segundo avaliação do Midiativa, isso aponta para uma falta de foco específico em cada faixa etária. Mas há diferenças, como o mexicano
Chaves

, ou os desenhos
Meninas Superpoderosas

e
Pernalonga e Patolino

. Para essa faixa de idade, os pais identificaram como terceira característica mais importante para um programa ser atraente: ter música, falar a linguagem do público, ter humor, competições e ação. E aí apontaram
Eliana na Fábrica Maluca

,
Castelo…

e
Bob Esponja

como os mais atraentes. Mais uma vez os pais consideram que nenhum dos programas preferidos pelos filhos prepara para a vida, incentiva a auto-estima, desperta o senso crítico, mostra a realidade ou gera identificação.






Dos 12 aos 17 anos –




A falta de programação específica fica ainda mais evidente pela pesquisa. Entre os programas preferidos, os adolescentes apontam vários que são dirigidos ao público adulto, como
A Grande Família

,
Fantástico

ou
Jornal Nacional

. Dos citados, apenas
Malhação

e
Altas Horas

foram feitos especificamente para esse nicho. Os pais reconhecem, no entanto, que
A Grande Família

e
Fantástico

atendem a alguns mandamentos destinados aos programas para adolescentes, como confirmar valores transmitidos pela família e pela escola. Mas, mais uma vez, avaliam que nenhum dos programas preferidos por seus filhos incentiva a auto-estima.




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