Opção pelos excluídos

Inglês criador do método “alfabetização cultural” desenvolve projetos com sem-terra e índios no Brasil

Compartilhe
, / 996 0





Jéssika Torrezan

Utilizar a arte para estimular o pensamento crítico e a resistência ao modelo econômico vigente. Esse é o objetivo do inglês Dan Baron, que já levou o seu “teatro antiimperialista” para vários países, além do Brasil, onde mora há seis anos. Convidado para ser professor visitante na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Baron se apaixonou pelo país que para ele “tem uma humanidade tão rica, esperançosa, complexa e contraditória”. Hoje, mora em Florianópolis (SC) e trabalha com populações excluídas.



O primeiro contato com o Brasil aconteceu há mais de 30 anos, quando o inglês leu
Pedagogia do Oprimido

, de Paulo Freire. “Abriu-se um mundo de possibilidades depois que conheci a obra de Paulo Freire”, conta. Baron teve ainda influência de Leonardo Boff, com a
Teologia da Libertação

, e do
Teatro do Oprimido

, de Augusto Boal, para criar o que chama de “alfabetização cultural”. “Sem esses pensadores, a busca pela independência não seria tão iluminada.”




A proposta desta “alfabetização”, segundo Baron, é transmitir através da arte conceitos que levem as pessoas à reflexão, a estabelecerem uma pedagogia nova, desafiadora, que questione o individualismo, a busca pelo lucro e a filosofia neoliberal. “O futuro das pessoas depende da humanização da educação”, afirma. Essa humanização consiste em estabelecer diálogos entre comunidades diferentes, para que possam se conhecer e interagir: “O mundo precisa buscar novas propostas, senão, não vai conseguir se manter.”




Baron relata suas experiências no livro
Alfabetização Cultural: A Luta Íntima por uma Nova Humanidade

, recém-lançado. O arte-educador sempre trabalhou com a população excluída dos países em que esteve: sem-teto na Inglaterra, vítimas da intolerância religiosa na Irlanda do Norte, negros na África do Sul pós-
apartheid

, sem-terra e índios no Brasil. “A proposta dessas atividades é recuperar a auto-estima dessas pessoas, para que elas não sintam pena de si próprias, desenvolvam autoconfiança e novos pensamentos”, propõe.


A experiência com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), em Santa Catarina, e em Eldorado dos Carajás (PA), rendeu-lhe um convite para levar suas oficinas aos índios Pataxó, na Bahia. Nas comunidades onde trabalhou, Baron desenvolveu não só oficinas de arte, dança, esculturas e teatro para a população que morava nos assentamentos e aldeias, como também levou universitários para conhecerem a realidade daquelas pessoas. “O desafio é juntar pessoas diferentes para que possam dialogar e transformar juntas o mesmo espaço, para tentarmos diminuir as profundas desigualdades sociais do país”, defende.


Comentários

comentários

PASSWORD RESET

LOG IN